quarta-feira, 15 de novembro de 2017

ARTE-ENLEVO . 400 curtidas

E chegamos às 400 curtidas na página do facebook. É um prazer e uma honra contar com a presença de vocês na minha página ARTE-ENLEVO. Em breve teremos novidades. Estou aguardando receber o registro de direitos autorais de um texto que segue abaixo. Um grande abraço a todos. Paz e luz.



ARTE-ENLEVO

A arte-enlevo propõe uma arte em que se transpasse o atributo de ser simplesmente arte da prática artística.  A arte-enlevo transpassaria a condição de arte porque estaria em dinamicidade com expressões artísticas no êxtase, no enlevo.  Propõe o elevar de mentes, consciências e espíritos tanto na pura crítica reflexiva, quanto no puro deleite de sensações e em âmbitos de maior apreciação estética plena.

Arte-enlevo, arte egóica e arte da neutralidade

Como havia diferenciação entre a serpente boa e a serpente má entre povos da Antiguidade, particularmente no Egito Antigo, entre boa e má arte, é lógico, há uma grande diferença.  Entre o Agathodaemon e o Kakodaemon, a serpente boa e a serpente má, segundo Blavastky no livro A Doutrina Secreta, ocorrem diferenças enormes.
Só na Idade Média passou-se a considerar as serpentes exclusivamente como más, como símbolos do mal.  Mas como os povos antigos chamavam os grandes sábios de serpentes ou dragões, hoje os grandes mestres, artistas, atletas ou intelectuais, por vezes, são chamados de “monstros sagrados”.  Por que serpente ou dragão?  Por que “monstro sagrado”?  Porque havia pensadores gregos que usavam a metáfora de comer o coração e o fígado das serpentes para adquirir a sabedoria, advinda da própria lenda ou mito ou construção filosófico-religiosa de Adão e Eva no Paraíso e as suas quedas por meio da maçã oferecida pela serpente à Eva.  O conhecimento do bem e do mal.  Suas palavras foram tomadas como verdadeiras e o sábio tem seus ensinamentos consumidos – ou assimilados – pelos adeptos para adquirir a sabedoria.
A arte egóica se contrapõe diretamente ou indiretamente à arte-enlevo.  É a arte em estado isolado, o sonho profundo, a escuridão, a inércia.  A arte da neutralidade como o próprio nome diz, propõe relações de troca entre o elevado e o negativo, entre o ego e a aniquilação do ego, sem opôr-se nem a um nem a outro.  Freneticamente ela propõe a atividade, seja essa atividade voltada para o elevar-se ou voltada para a baixeza, ao mesmo tempo, ou ora para um lado, ora para outro lado. 
Tamas (arte egóica), Rajas (arte da neutralidade) e Sattva (similar ou igual à arte-enlevo) seriam as correspondências dessas classificações de acordo com a Ayurveda em conjunto com a consciência elevada ou consciência cósmica, apontada por orientalistas e adeptos de religiões orientais e pensadas artisticamente, segundo nossa visão.
A arte egóica se concentra, em grande parte de sua atuação, no grotesco e no espalhafatoso, no exagero e na ilusão.  Mais comumente encontrada em obras de arte da arte pop e do mid-cult, mas pode ser encontrada até no cult e no erudito, quando pensamos em certas “degenerações” desse próprio movimento sem direção das elites/vanguardas ou pseudo-elites/vanguardas.
A arte da neutralidade se concentra, na maioria das vezes, em dubiedades e em subjetivismos, em conexões e em velocidades.  Mais comumente encontrada em obras de arte do cult e do mid-cult, mas pode ser encontrada, também, tanto na arte pop quanto na arte erudita, senão totalmente, mas parcialmente.
A arte-enlevo, por sua vez, se concentra na pureza e no equilíbrio, na vigília e na causa.  Mais comumente encontrada na arte erudita, mas pode igualmente ser encontrada no cult e no mid-cult, novamente salientando-se que nem sempre de forma total, mas apenas parcialmente.
Em nada interfere na qualidade de uma obra de arte ser erudita ou arte pop, cult ou mid-cult.  Dentro das proximidades ou afastamentos da cultura dita oficial ou do status quo, percebe-se uma grande mescla entre tais classificações.  Porém, não se pode deixar de dizer que a recorrência da arte-enlevo na arte erudita em muito a torna “recomendável” ou “preferível” frente a qualquer outra expressão de nível “inferior” como o cult, o mid-cult e a arte pop.

Relações de contato da arte-enlevo

A arte visionária pretende lançar mão de visões com experimentos em estados não-ordinários de consciência (ENOC) traduzidas para as artes visuais. A literatura do maravilhoso pretende mostrar o mágico e o místico com a rica realidade numa epifania individual. Qual a relação entre essas diversas tendências – e muitas outras – e a arte-enlevo?  A resposta, seja ela qual for, deve se situar num lugar de meio termo entre o transe meditativo e a imaginação espiritual sem ter tais elementos como definidores de sua poética e sem negá-las ao mesmo tempo. A rigor, a arte-enlevo possui relação direta ou indireta com a espiritualidade. O espiritualismo ou a espiritualidade evoca sensações, devoções e práticas muitas e desemboca, artisticamente, em estados poéticos vários, com n matizes, desde o misticismo xamânico até o pietismo religioso, de modo amplo.  Mas não usa de métodos quaisquer para os experimentos em ENOC que desembocarão em arte, como na arte visionária.  Para a arte-enlevo, o método para ser suscitador realmente de enlevo, tem que ser natural: meditação, mantra, oração, recitação, tai-chi-chuan, yoga mas não jejum, nem uso de psicoativos ou drogas, com exceção das usadas nas seitas Santo D´aime ou União do Vegetal, que possuem um contexto espiritual em torno do ingerir substâncias próprias, em determinados ambientes espiritualizados e com acompanhamento adequado. A bem da verdade, a exceção é apenas uma espécie de “desencargo de consciência”, porque este autor que fala não experimentou nem pretende experimentar nenhuma substância “para ter visões” ou para “expansão de consciência” em tempo algum.  Também, por outro lado, não faço nenhum favor a ninguém de registrar tal exceção, visto que as crenças e os tipos de crença são diversos e vários em suas formas e, inclusive, em sincretismos muito afeitos à brasilidade e à nossa realidade contemporânea mundial.
                De modo que, a arte-enlevo pode suscitar realidades no terreno da arte visionária e do maravilhoso, sem ser ou tornar-se, propriamente, arte visionária ou literatura do maravilhoso, sendo mais voltada a uma experiência estética que, generalizante ou generalista, por natureza, não se atêm a uma independência ou subjetividade própria, inerentes. Ao contrário, pode se juntar e/ou se plasmar com outras tendências – desde o anti-design, na comunicação visual até o neoísmo na experimentação artística e cultural; desde o expressionismo abstrato até a literatura fantástica – sem deixar de apresentar ou demonstrar sua preocupação maior em elevar mentes, consciências e espíritos. Sendo esta característica presente como a mola propulsora ou a pedra de toque do processo criativo ou ainda, o alvo a ser alcançado no resultado final da sua prática e teoria. Em qualquer desses três momentos a arte-enlevo propõe o espiritualismo, em essência, mas não descarta o materialismo sendo, nesse sentido, um ponto de contato entre o planejamento (projeto), prática (práxis) e teoria (conceito) no qual a arte possa ser plenamente vivenciada numa apreciação rica e elevada – necessariamente rica em desdobramentos e elevada em apreciação – que possa torna-la próxima do mid-cult, do cult, do erudito e da pop art, sem ser ou tornar-se, totalmente, qualquer uma dessas classificações.
                  Também não será arte objetiva ou arte sacra, no sentido espiritual do termo e nem arte-terapia ou arte-educação porque não possui compromisso com as agendas terapêuticas, espirituais ou educacionais de modo estrito. No entanto, apresenta um víés de exploração filosófico que, se não é açambarcante, em termos totalizantes, é, ao menos, realizado em primeira instância, a partir desse pensamento: dos “porquês”, dos “comos”, dos “ondes” e dos “quandos” no terreno da apreciação que suscita realidades ou que possa suscitar realidades questionadoras e de impulso ao elevar de apreciações antes ocultas e/ou ausentes do rol de percepções do homem e da mulher contemporâneos.
Por exemplo, porque não buscar compreender, artisticamente:

. O conceito de virgindade como sendo o olhar do ato amoroso (sexual) como a primeira vez e não como a ausência de prática amorosa (sexual).
. O conceito de alma-mundo como experienciar do planeta Terra do qual fazemos parte inextricavelmente.
. O conceito de honra, dignidade e valores como sendo inerentes aos seres humanos e não como “adendos” que nos são negados, muitas vezes, no mundo contemporâneo.
. O conceito de beleza, bondade e verdade como poética da vida e não como ideais que nada significam – ou significam muito pouco – para o cidadão médio e mesmo para muitas elites.
. O conceito de compaixão e de caridade como verdadeiras aventuras espirituais e/ou religiosas que levam a um aprofundamento da fé verdadeiramente e não como meros instrumentos apaziguadores ou atenuantes para a consciência pesada ou má consciência da classe média ou de muitas elites.
. O conceito de contemplação e do transcender definido como o sentir e o estar no mundo e não como um breve momento que é intercalado pela maior parte do dia, corrido e cheio de urgências.

                   Os exemplos citados são considerações pessoais minhas e podem, logicamente e subjetivamente, variar conforme a individualidade de cada artista.
                   Tais conhecimentos ou considerações ciclicamente desaparecem ou reaparecem das percepções humanas de tempos em tempos e podem ser mais facilmente ou mais dificilmente acessadas por estéticas artísticas e culturais, por pensamentos filosóficos e morais ao longo das épocas. A arte-enlevo propõe a permanência de temas, estilos ou tendências de atitudes “fora de moda” ou “fora de contexto” no arsenal estético artístico, independente da classificação ou denominação da vertente utilizada, mesmo se tais atitudes e/ou pensamentos não forem diretamente ou claramente identificáveis em determinada obra de arte.

Mauricio Antonio Veloso Duarte (Swami Divyam Anuragi)



quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Retrato de Hieronymus Holzschuher



Albrecht Dürer 

Retrato de Hieronymus Holzschuher
Óleo s/ tela
48 x 36 cm
1526
Galeria de Pintura Dahlem
Museu de Berlim
Berlim

Sufismo

Capítulo 11

Sufismo



A única religião no mundo em que devemos concluir, antes de examinar, que o espírito panteísta foi impossível, é a religião de Maomé.  O islamismo é repelente à toda especulação sobre Deus, e a todo exercício de razão em relação pertinente a fé.  O supremo Deus do profeta árabe não é um ser do qual todas as coisas emanaram e de quem todos os homens servem por contemplação, mas uma vontade absoluta da qual toda criação deve obedecer.  Ele está separado de tudo, acima de tudo, o regulador de todas as coisas, soberano real de todo o universo.  Foi a missão de Moisés ensinar a unidade de Deus em oposição à idolatria das nações que, colocando o culto da natureza, têm posto a criatura no lugar do criador.  Para isto, todas as imagens do divino Ser foram esquecidas para os hebreus, já que seus profetas fizeram uso de todas as glórias da criação para estabelecer a majestade divina e o esplendor de Deus.  Suas carruagens estavam em fogo.  Ele andava nas asas do vento.  Ele se vestia de luz como traje.  Ele estava no céu e na terra, e nas partes mais longínquas do mar – sim, até no inferno.  Nem a matéria, nem o sofrimento, nem a impureza o excluem de qualquer região do universo.  Jesus Cristo, até mais do que os profetas hebreus, dirigiu seus discípulos para o mundo natural, no qual ele mostrou o Pai; nem ele hesitou apontar os objetos naturais como símbolos de Deus e emblemas de sua glória.  São João nos diz que o arrebatamento com o qual ele se enlevou foi para repetir a mensagem que ouviu de Jesus de que “Deus é Luz.”, e estabelecer que a divindade do Logos, ele pronunciou sua luz a ser “a vida dos homens” O maometismo foi ainda mais claro em sua doutrina da divina unidade do que o judaísmo ou o cristianismo, e mais rígido também do que essas religiões, em excluir a natureza de qualquer lugar na religião. Ele não reconhecia símbolos.  Ele não aprendia nada de Deus pela criação.  O Supremo Um tinha falado por seu profeta, e sua palavra era a essência da religião. De novo, o maometismo é uma religião de dogmas e cerimônias.  Ele permanece na autoridade.  Suas doutrinas são definitivas.  O Corão é infalível; as palavras não são apenas inspiradas, mas ditadas no Céu. Encontrar o panteísmo no maometismo é achá-lo num sistema no qual, entre todos os outros, esse espírito é o mais alienígena.  Mas nele há, como em todas as outras religiões, aqueles que têm a ortodoxia para defender por doutrinas e por cerimônias, que repousam implicitamente na autoridade de uma pessoa, um livro, uma igreja; e aqueles com um espírito livre, que demandam o exercício da razão, a procura por intuições divinas e almas individuais.  Uns dizem que a religião é uma doutrina; os outros que é uma vida. Uns dizem que Deus falou a alguns no passado; os outros dizem que ele está falando conosco agora.  A última classe é representada no maometismo pelos sufis, que são seus filósofos, seus poetas, seus místicos, seus entusiastas.  Mostrar uma história deles não é fácil, já que estão divididos em muitas seitas, nem é menos difícil achar suas origens e a genealogia das suas doutrinas.  Autores maometanos admitem que havia sufis nos primeiros tempos da sua origem, provavelmente contemporâneos ao próprio profeta. Alguns traçam a origem dos sufis à Índia e identificam-nos com as seitas místicas do brahmanismo.  Outros encontram no sufismo remanescente inescrutáveis da antiga fé da Pérsia.  Essas são as mais prováveis hipóteses.  O espírito do parseísmo que sobreviveu depois da vitória da fé maometana, de novo renasceu, e seguiu uma lei, que pode ser traçada, em muitos casos similares, dando nascimento ao puritanismo (sufi significa puro) do maometismo.  Os sufis pensam que acreditam como Maomé, e gostariam de provar que ele era também um sufi – um esforço cujo estabelecimento disto para todos parece impossível, menos para eles. “Sufismo” diz um autor inglês, “surgiu do seio do maometismo como um vago protesto do espírito humano, em sua intensa jornada, depois de uma doutrina pura.  Em certas passagens do Corão os sufis erigiram seu próprio sistema professando tanto a reverência à sua autoridade quanto uma revelação divina, mas na realidade, substituindo-a pela voz oral do professor, ou os sonhos secretos do místico.  Insatisfeito com a árida letra do Corão, o sufismo apela para a consciência humana e, dela, seu natural sentimento para buscar antes esperanças nobres do que um grosseiro paraíso maometano possa preencher.”
“O grande criador”, diz Sir John Malcolm, “está, de acordo com a doutrina dos sufis, difuso em toda a criação.  Ele existe em todo lugar e em tudo.  Eles comparam a emanação da sua divina essência ou espírito aos raios do sol, que eles julgam, que são continuamente arremessados para fora e reabsorvidos.  É pela reabsorção na divina essência, a qual sua parte imortal pertence, que eles continuamente sinalizam.  Eles acreditam que a alma do homem e seu princípio de vida que existe entre toda natureza, essas doutrinas que seus adversários seguem são as mais profanas, porque calcularam estabelecer um degrau de igualdade da natureza entre o criado e o Criador.”
Essa breve descrição não apenas declara totalmente o caráter das doutrinas dos sufis concernentes a Deus, mas também apontam, ao mesmo tempo, para sua origem pela ilustração do sol e seus raios.  Deus é luz e essa luz é tudo o que é.  O mundo fenomenal é mera ilusão, uma visão que os sentidos levam a algo, mas que é nada.  Todas as coisas são o que são por uma necessidade eterna, e todos os eventos são tão predestinados que a existência do mal é impossível.  A esse respeito, algumas das seitas sufis manifestam um fanatismo selvagem que foi causa de serem consideradas ilegais, mas, com maior frequência, esse caráter apenas os deu o apelido de místicos extravagantes.  Nós viemos de Deus e nós iremos, ao final, retornar a ele de novo, este é o clamor incessante.  Mas enquanto ocorre a separação de Deus, que eles consideram a pior das misérias, eles garantem que a alma do homem tem sido dividida de Deus.  As palavras “separado” e “dividido” podem não corresponder ao significado das palavras persas, nem tornar claro para nós, a distinção que é intenção e deve ser seguida.  Quem sabe, há aqui, logicamente, uma contradição; porque uma vez é declarado que Deus criou todas as coisas por seu sopro e tudo, apesar disso, é ambos, Criador e criatura; e, noutra vez, que essa unidade de Deus e da criatura é limitada à alma iluminada.  A dificuldade é esta que nós já encontramos antes, e, embora admitamos que há inadequação das palavras, nós podemos ainda entender ou, ao menos, conjecturar o significado.  Ser reabsorvido à essência gloriosa de Deus é o grande objetivo do sufi.  Para alcançar esse meta ele tem que passar por quatro estágios.  O primeiro é o de obediência às leis do profeta.  O segundo é o do estado de batalha espiritual ligado através da obediência quando ele vive mais no espírito do que na letra.  No terceiro ele chega ao conhecimento e é inspirado.  No quarto ele se liga à verdade e é completamente reunido com a Divindade.  Nesse estado ele perde toda vontade e personalidade.  Ele não é mais criatura, mas Criador, e quando ele cultua Deus, é Deus cultuando a si mesmo.
O recente trabalho do Professor Palmer diz que esse sistema dos sufis é uma viagem para reconciliar filosofia com religião revelada.  Ele o chama de doutrina esotérica do islamismo e encontra algo de sua fundação no Corão, embora admitindo que o Corão não tem tendência ao panteísmo.  Ele descreve isto como o culto do bem e da beleza, o triunfo da alma sobre o domínio dos sentidos, e ele espera que no futuro, tenha tempo para ser capaz de provar que isto foi realmente o desenvolvimento da primavera religiosa da raça ariana.  Os sufis dizem que não há caminho do homem a Deus, porque a natureza de Deus é ilimitada e infinita.  O Corão diz que ele comporta tudo e não há um só átomo em que ele esteja ausente.  Outra seita que o Senhor Palmer distingue dos sufis, mas que parece ser essencialmente a mesma, diz que não há caminho do homem a Deus, porque não há existência independente de Deus.  Nem poderia haver, porque o que realmente existe é a própria existência e, além de tudo, é Deus.  Quando o homem imagina que ele tem uma existência diferente da existência de Deus, ele cai num erro grosseiro e em pecado, e ainda, esse erro e esse pecado são o único caminho do homem para Deus.  Até que isto seja ultrapassado, o outro estágio não pode ser alcançado.
Um poeta sufi diz:
“– Plante um pé no pescoço de si mesmo,
O outro o domínio do vosso amigo,
Em tudo sua presença vê,
Para outra visão é fútil.”

Enquanto o homem olha para si mesmo não pode ver Deus, mas quando ele não está procurando a si mesmo, tudo que ele vê é Deus. (Misticismo oriental por E. H. Palmer)
Dr. Tholuck no seu livro “Sufismos” tem mostrado em muitas passagens de autores maometanos que as doutrinas sufi são idênticas àquelas dos brahmas e budistas, dos neo-platonistas, dos beghards e beguines.  Há a mesma união do homem com Deus, a mesma emanação de todas as coisas de Deus, e a mesma absorção final de todas as coisas na Essência Divina – e isto realiza toda a necessária evolução do Ser Divino.  A criação da criatura, a queda delas, criaturas que se separaram de Deus e o seu final retorno, são todos eventos pré-ordenados por uma necessidade absoluta.  O chefe da escola de filosofia árabe, Gazzali, passou para o lado do sufismo, pela mesma razão que Plotinus permaneceu na sua teologia mística.  Depois de longa inquirição de algum nível superior, com a qual temos a certeza para nos basear em nosso conhecimento, Gazzali desistiu de rejeitar inteiramente toda a crença nos sentidos.  Ele então achou igualmente difícil de se certificar da acuidade de conclusões pela razão, pela qual, quem sabe, ele pensou, alguma faculdade maior do que a razão que, se nós a possuíssemos nos mostraria a incerteza da razão como a razão agora mostra a incerteza dos sentidos.  Ele se perdeu no ceticismo, e não viu nenhuma saída, a não ser a união sufi com a Deidade.  Sozinho, o homem pode conhecer o que é a verdade, se tornando a verdade ele mesmo.  “Ele foi forçado”, ele diz, “a retornar a admitir as noções intelectuais como base de toda certeza.  Isso, no entanto, não foi a razão sistemática e a acumulação de provas, mas um flash de luz que Deus enviou à minha alma.  Por quem imagina que a verdade pode apenas ser tornada evidente por provas, isto dá lugar a uma limitada compreensão da ampla compaixão do Criador.”
Bustami, um místico do século XIX, dissera que ele era um mar sem nenhum fundo, sem começo e sem fim.   Sendo perguntado sobre o que é o trono de Deus, ele respondeu, Eu sou o trono de Deus.  O que é a tábula na qual são escritos os divinos decretos?  Eu sou a tábula.  Qual é o lápis de Deus – com que palavra Deus criou todas as coisas?  Eu sou o lápis.  Quem foram Abraão, Moisés e Jesus? Eu sou Abraão, Moisés e Jesus.  O que são os anjos Gabriel, Michael e Israfil?  Eu sou Gabriel, Michael e Israfil, com os quais vem a verdade do ser absorvido em Deus, e que se torna Deus.  De novo, em outra passagem, Bustami clama, reze por mim, eu sou a verdade.  Eu sou o verdadeiro Deus. Reze por mim, eu devo ser celebrado por reza divina.
Jelaleddin, um poeta sufi, canta sobre si mesmo:

“Eu sou a doutrina, o saltério, o Corão,
Eu sou o Usa e o Lat (divindades árabes), o sino e o Dragão, 
Em dois e setenta seções do mundo dividido,
Ainda assim apenas um Deus, o fiel que acredita nele eu sou,
Vós conhecera o que é o fogo, a água, o ar e a terra,
Fogo, água, ar e terra, tudo eu sou,
Mentiras e verdade, bem, mal, duro e macio.

Conhecimento, solitude, virtude, fé,
O grau mais profundo do inferno, a mais alta tormenta das chamas,
O mais alto paraíso,
A terra e o que ela nos deu,
Os anjos e os demônios, espírito e homem, eu sou;
Qual é o objetivo do discurso, me diga oh, Schema Tebriso?
O objetivo do sentido?  Isto: Eu sou a alma do mundo.”

O senhor Vaughan, em seu “Horas com os místicos”, cita os seguintes versos dos poetas persas: –
“Todas as seitas multiplicam o eu e o vós;
Esse eu e vós pertencem a um ser parcial.
Quando o eu e o vós e vários seres desaparecem,
Então a mesquita e a igreja podem encontrar o nunca mais.
Nossa vida individual é nada mais do que um fantasma;
Faça claro o teu olho, e veja a realidade.” – Mahmud.

“Na terra vós vistes suas ações; mas seu espírito
Fez do céu seu acento, e todo infinito,
Espaço, e ilimitada duração fez seu serviço;
Como os rios do Éden moram e servem ao Éden.” – Mahmud.

“Homem, qual a tua arte que está escondida
Não conhece nada da manhã, meio-dia e da noite,
Todos estão contigo?  O nono céu da arte tua,
E das esferas no rugir do tempo
Caiam antes do enquanto, como a arte do pincel que pinta
As matizes de todo o mundo – a luz da vida
Que dispõe sua glória no nada.”

“Alegria! Alegria! Eu triunfei agora; não mais eu sei
De mim mesmo como simplesmente eu.  Eu queimo com amor.
O centro está em mim, e ele me imagina
repousando como um círculo em todo lugar sobre mim.
Alegria! Alegria! Nenhum pensamento mortal pode me penetrar.
Eu sou o mercador e a pérola de uma só vez.
Uau! O tempo e o espaço repousam abaixados sob meus pés.
Alegria! Alegria! Quando eu iria me divertir num enlevo,
Eu mergulhei em mim mesmo e passei a saber todas as coisas.” – Ferridoddin.

Nós somos idiotas? Nós somos a escravidão de Deus.
Nós somos espertos? Nós somos seu passeio.
Nós estamos dormindo? Nós estamos embriagados de Deus.
Nós estamos acordados? Então nós somos seus mensageiros. 
Nós estamos chorando?  Então somos suas nuvens de ira.
Nós estamos rindo?  Flashes do seu amor.” – Jelaleddin.

Tholuck citou esses versos de um breviário dervixe: –

“Ontem eu bati o tambor-caldeirão do domínio,
Eu elevei minha barraca no mais alto trono,
Eu bebi, coroado pelo Amado,
O vinho da unidade do copo do Poderoso.”

Alguns versos de Jami: “Salaman e Absal” que tem sido recentemente traduzidos para o inglês, podem concluir essa nota sobre os sufis.  O sujeito do poema são as alegrias do amor divino – os prazeres da vida religiosa como oposição às fascinações da vida dos sentidos. No prólogo o poeta nos apresenta a Divindade: –
            “Tempo é de
                Ampliar a beleza perfeita.  Eu seria
Esse amante, e apenas – eu, meus olhos
Lacrados na luz dele, em tudo mais dele,
Sim, na revelação dele mesmo
Perdido e sem consciência do bem e  do mal.
Movendo-se abaixo de todas as formas da verdade;
Abaixo de todas as formas das coisas criadas;
Vendo o que eu vejo, ainda sem discernir
Mas ele em todo o universo, no qual
Vós investes, e através dos olhos
Do homem, o sutil censor escrutina.
Para o Harim em divina dualidade,
Nenhuma entrada acha nenhuma palavra disto ou daquilo;
Do meu separado e derivado self
Faz-se um com o Essencial! Deixe-me nessa sala
Com o divino que não deixa sala para dois;
Em caso de, como simples curdo de quem se fala,
Eu cresça perplexamente, oh, Deus, “eu” e “vós”,
Se eu – essa dignidade e sabedoria donde seriam?
Se de vós – então que abjeta impotência?”

A fábula do curdo é contada em verso.  O curdo, perplexo com os caminhos do destino deixa o deserto para ir à cidade, onde vê as multitudes todas em comoção, todo um ritmo apressado de lá para cá, daqui para lá, em seu negócio especial e seres vestindo roupas de viagem, o curdo se deita para dormir, mas teme por isso, estar entre tantas pessoas que não o conhecem e quando ele acorda, ele amarra uma abóbora em seus pés.  Um patife que o ouviu deliberando sobre a dificuldade de conhecer a si mesmo de novo, pega a abóbora e tira do pé do curdo e a amarra em seu próprio pé.  Quando o curdo acordou, ele estava desorientado, sem saber
“Se eu sou ou não,
Se eu – porque a abóbora está com você?
Se você – então onde eu estou, e quem?”

O prólogo continua: –

Oh, Deus! Este pobre desorientado curdo eu sou,
Há algum curdo que precise de mais ajuda! Oh vós,
Jogue um raio de luz na minha escuridão!
Mude pela graça essas fezes em vinho puro,
Para recrear os espíritos do bem;
Ou se não, ainda, com pequeno copo
Cujo nome eu vou pegar, não encontre proveito,
Passar da salutar vindima ao redor!”

O poeta é respondido pelo Amado: –

“Não pensa mais em rima, mas pensa em mim? –
De quem? – De quem o palácio da alma é,
A casa do tesouro – que nota e sabe
Que virá e sairá quando vier
Para preencher o estranho que foi deportado.
De quem as sombras de reis – cujos atributos
Do tipo deles – suas iras e favores –
Uau! Na celebração da sua glória
O rei, ele mesmo, vem me despir,
E, de repente, me rouba para si.
Onde mais uma vez eu pego – o melhor esquecido –
O campo do verso, o canto de oração dupla,
E nessa memória refresca minha alma
Até que eu compreenda o limite da Divina Presença.”

A seguinte fábula de Jelaleddin vai ilustrar a ideia sufi de identidade que, na imagem do amor, é colocada em Salaman e Absal: “Alguém bateu na porta do Amado; e uma voz perguntou de lá,: “Quem é?” E ele respondeu, “Sou eu”. Então a voz disse, “Essa casa não é suficiente pra mim e tu.”  E a porta não foi aberta.  Então o amante foi para o deserto e rezou em solitude.  E depois de um ano ele retornou e bateu de novo na porta.  E de novo uma voz perguntou,  “Quem é?” E ele disse, “É você mesmo!” – e a porta foi aberta para ele.”

Notas:
Livros que tratam especialmente de sufismo são: “Essai sur les Ecoles Philosophes chez les Arabes” de M. Smoelder; Sufismos de Tholock; “Misticismo Oriental” do Professor Palmer; “A História da Pérsia” de Sir John Malcolm e um ensaio do Professor Cowell em Ensaios de Oxford, 1855.

Livre tradução do livro Pantheism and Christianity de John Hunt . 1884 . Capítulo XI . Sufismo

Visite o site Panteísmo e Cristandade com todos os textos traduzidos: https://sites.google.com/site/pantheismandchristianity/





segunda-feira, 6 de novembro de 2017

O ciclo cobiça, obtenção, perda e frustração

O ciclo cobiça, obtenção, perda e frustração




O que é o ciclo cobiça, obtenção, perda e frustração?  É uma bola de neve que tendemos a repetir ao longo da vida e que só aumenta se não tomarmos consciência da sua existência. É uma cegueira que nos torna vítimas de nossos desejos sem que possamos perceber o quanto estamos aprisionados sem perspectivas de mudar realmente nossas vidas.
Primeiro, cobiça: Acreditamos cegamente que se sairmos de casa e morarmos em outro lugar, com a nossa namorada, seremos felizes.  Acreditamos que se virmos o último filme do Harrison Ford, seremos muito felizes.  Acreditamos que se nos deliciarmos com aquele sorvete do fast  food, estaremos contentes e felizes.  Nossa meta e objetivo nos deixam cegos e nos levam a cobiçar inconscientemente.  Tornamo-nos apegados às coisas.
Segundo, obtenção: Todas as alegrias desaparecem depois que obtemos o que queríamos, percebemos que conseguir aquele apartamento, aquele filme ou aquele sorvete não nos preenche totalmente. Nada poderia nos preencher totalmente, na verdade.  Sentimos um vazio e tendemos a perder o que conseguimos, de modo a que possamos nos frustrar e partir para a nova cobiça e obtenção, repetidamente.
Terceiro, a perda: Não é o apartamento, o filme ou o sorvete que causam o sofrimento.  Podemos aproveitá-los enquanto estão lá.  É para isto que eles estão lá, para que os aproveitemos enquanto estão lá.  Mas preencher nosso vazio interior com essas coisas nunca vai ser possível.  E o desejo de preencher esse vazio é o que causa a frustração.
Quarto, a frustração: A partir de nossa ignorância e confusão, criamos o sofrimento.  Acreditar que a verdadeira felicidade vem através da aquisição de coisas, vem da obtenção de algum objetivo é o caminho para essa frustração.  Obter um apartamento, ver um filme ou tomar um sorvete não é nossa felicidade como um todo, nem nunca vai ser.  Quando tomamos consciência disto, nossa convicção cega de cobiça nos deixa e quebramos o ciclo repetitivo.
Não há nada de errado em ter um apartamento, ver um filme ou tomar um sorvete, mas ter o apego nessas coisas a ponto de acreditar que se não as tivermos, seremos infelizes, é o caminho para a frustração e a amargura, como já disse.  E se descobrirmos que é ótimo morar com a namorada no novo apartamento, mas seria muito melhor morar numa casa espaçosa com ela?  E depois descobrirmos que seria maravilhoso ter um carro na garagem dessa casa? E se descobrirmos que o novo filme do Harrison Ford é fantástico, mas o que queríamos mesmo é de ir em toda sessão de estreia dos seus filmes?  E se descobrirmos que ir nas sessões de estreia é um must, mas o que queríamos mesmo é ter a coleção de todos os filmes dele em DVD ou Blue-ray?  E se descobrirmos que o sorvete é muito bom, mas queríamos mesmo é tomar um sundae caramelizado?  E se descobrirmos depois que o queríamos mesmo é tomar um super milk shake? E assim por diante.  Nunca para. Nunca para.
Os desejos são fenômenos impermanentes, como dizem os budistas.  Ficar feliz com o que existe, ficar feliz e calmo com o que existe não é comodismo.  É a harmonia interior de aproveitar o momento presente.  Sem o qual, nada nos satisfará, nunca.  Paz e luz.

Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)

Referências:
O Dharma de Guerra nas Estrelas . Matthew Bortolin. Editora Fissus . Rio de Janeiro . RJ , 2005.


Leia mais: http://www.divulgaescritor.com/products/o-ciclo-cobica-obtencao-perda-e-frustracao-por-mauricio-duarte/

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Lançamento: portal e-cêntrica . 25 de outubro



Lançamento: portal e-cêntrica . 25 de outubro .


Sobre nós
A circulação da produção gráfica e literária independente é um dos maiores desafios para autores/autoras, coletivos criativos e pequenas editoras, em todo o mundo.
Quando escolhemos trabalhar de maneira alternativa, deixamos de apoiar práticas do mercado formal, optamos pelos caminhos da inovação.
Não existe uma fórmula de sucesso, um modelo de reinvenção sistêmica, no entanto, referências diversas e ferramentas já estão disponíveis. De forma geral, elas se orientam pelo conceito de rede para traçar estratégias de ação.
A e-cêntrica é uma dessas iniciativas.
Sob a coordenação da Casa da Cultura Digital (GO) e com o apoio da Lei Goyazes, a e-cêntrica propõe a conexão entre agentes estratégicos (autores/autoras, coletivos criativos e pequenas editoras), em todo o Brasil, para a construção coletiva de alternativas para a difusão e comercialização da produção gráfica e literária de todas as regiões do País.
Ao mesmo tempo, esta ação se propõe a colaborar com iniciativas que buscam amenizar a invisibilidade histórica da produção gráfica e literária das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do território nacional, sem a exclusão do trabalho que é feito no sudeste e no sul.
Também interessa à e-cêntrica apoiar o fortalecimento e a ampliação da visibilidade do trabalho da mulher, cis e trans, no mercado editorial, em todo o mundo.
Consequentemente, ações de estímulo à leitura têm nosso apoio incondicional.

Mapeamento
O mapeamento é a primeira etapa de trabalhos da e-cêntrica, iniciativa que busca alternativas para a circulação da produção gráfica e literária independente no Brasil.
A coleta de dados continua, mas cumpriu sua primeira etapa no primeiro semestre de 2017. Agora colocamos à sua disposição informação que nos foi encaminhada de todas as regiões do País.
Tem poeta de Roraima, ilustrador do Piauí, romancista de Goiás, editora do Espírito Santo. E muito mais! Porque livros lindos, zines, HQs, revistas, jornais de arte, prints diversos estão sendo produzidos em todo lugar e podem chegar até você.
A Casa da Cultura Digital e apoiadores deste projeto desejam que esta pesquisa estimule a articulação de redes produtivas e ofereça subsídios para a produção artística e intelectual, que dialoga com as economias exponenciais: criativa, colaborativa, compartilhada e multimoedas.
Conheça agora a síntese de dados coletados na primeira fase do mapeamento e quem são as autoras/autores, coletivos criativos e nanoeditoras que já integram esta rede.
Para não ficar de fora, apresente-se.

Quem idealizou esta iniciativa?
A e-cêntrica é uma iniciativa da Casa da Cultura Digital, idealizada pela escritora e editora Larissa Mundim, fundadora da ONG e criadora da Nega Lilu Editora.
Apoio: Lei Goyazes.

Por que participar do mapeamento de produção gráfica e literária independente?
Para traçar estratégias que verdadeiramente impactem no mercado gráfico e literário, é necessário conhecer o potencial desta cadeia produtiva.
Quem são os agentes estratégicos no mercado editorial independente?
O que está sendo produzido de maneira qualifica em todas as regiões do Brasil?
Por onde circula esta produção?
Como ampliar a comercialização do produto?
Quais são as iniciativas inovadoras que colaboram para rotas alternativas de distribuição?
Respostas a questões como estas vão nos ajudar a esboçar o cenário de atuação da e-cêntrica.
Se você ainda não integra este mapeamento, vem!

Por que apoiar a produção gráfica e literária do norte, nordeste e centro-oeste e apoiar o fortalecimento da produção da mulher no mercado editorial? Sexo masculino, branco e residente nas regiões Sudeste e Sul. Este é o perfil da maioria dos autores literários publicados por editoras brasileiras influentes, segundo pesquisa realizada pela professora da Universidade de Brasília, Regina Dalcastagnè.
Um cenário assim evidencia prejuízos à identidade sociocultural de um país que tem a diversidade como uma de suas maiores riquezas − tanto pela ausência representativa de escritoras no circuito literário mais prestigiado, quanto pela limitação da produção considerada relevante, pelo mercado, ao território geográfico onde estão as maiores editoras, distribuidoras e livrarias. A professora pesquisou o comportamento de três grandes editoras brasileiras (Record, Companhia das Letras e Rocco), observando características de obras eleitas para publicação, ao longo de 15 anos. Regina Dalcastagnè incluiu 165 escritoras e escritores no corpus de sua pesquisa e, neste universo investigativo, chamou a atenção o fato de que 72,7% dos livros publicados têm homens como autores. Ainda mais crítica que a baixa presença feminina entre autores publicados é a homogeneidade racial: 93,9% dos autores e autoras estudados são brancos, 3,6% não tiveram a cor identificada e os “não brancos” somam 2,4 pontos percentuais. Entre tantas outras nuances, a pesquisa informa também que 70% dos escritores e escritoras pesquisados nasceram e residem em estados do Sudeste e do Sul do Brasil. A região Norte estava representada por apenas dois escritores (1,2%), ambos do estado do Amazonas. E a região Centro-Oeste, com sete (4,2%), todos do Distrito Federal. Os 4,8% restantes era autores e autoras residentes no nordeste brasileiro.
Os dados estão disponíveis no livro “Literatura brasileira contemporânea: um território contestado” (Editora Horizonte, 2012).

Ainda posso integrar o mapeamento?
Sim. Todas e todos são bem-vindos. O mapeamento segue aberto. No entanto, a prioridade de publicação de informações é de quem se apresentou, ainda no primeiro semestre de 2017, quando a fase 1 da pesquisa foi concluída.
Dados coletados posteriormente serão inseridos, gradativamente.

Quem pode participar?
Autoras e autores independentes, coletivos criativos e pequenas editoras brasileiras.

Quais são os primeiros resultados deste trabalho?
O mapeamento é o primeiro serviço prestado pela e-cêntrica. Por meio do banco de dados que está sendo construído e disponibilizado aqui, curadores, leitores, pesquisadores, publishers poderão localizar autoras e autores, coletivos criativos, bem como pequenas editoras e profissionais autônomos (ilustradores, designers, fotógrafos, editores, revisores, erc) atuantes de forma independente, em todas as regiões brasileiras.
Para estimular a articulação entre os integrantes desta rede, a e-cêntrica lança, ainda em 2017, o número zero da revista eletrônica malunga.
Iniciativa da Casa da Cultura Digital, lançada pelo Selo Ç3, a malunga é uma que visa buscar alternativas de circulação da produção gráfica e literária independente no Brasil.
Quais são os rumos futuros desta iniciativa?
Apesar de ter seus objetivos traçados, os rumos desta rede não estão definidos, são imprevisíveis e serão determinados pela observação do movimento coletivo.

Coordenação Geral: Larissa Mundim

https://www.facebook.com/events/814558138716886/

Mais info:
www.facebook.com/e-centrica
em breve: www.e-centrica.com.br

domingo, 22 de outubro de 2017

Missão?



Missão?
Não existe o que se pode chamar de "missão" para um ser humano enquanto ser humano. Existe missão para um religioso de determinada religião, para um adepto de determinada doutrina, para um funcionário de determinada organização, enfim, "missão" não se enquadra na categoria humano. Um ser humano é inteiro em si mesmo. Ele ser o que é, já é a sua missão. A sua presença é a sua missão.

sábado, 21 de outubro de 2017

Isto não é arte



Isto não é arte

A discussão sobre a arte atual não é sobre arte, absolutamente. A arte é só uma desculpa. A verdadeira discussão é sobre o liberal e o neo-liberal ou a censura e a não-censura. A rigor, colocar alguém nu num museu, num centro cultural ou numa exposição de arte e permitir que outras pessoas a toquem - até crianças - não tem nada a ver com arte. PODE ser arte terapia, PODE ser terapia gestáltica, PODE ser psicologia, PODE ser até antropologia. Performance passa longe disto. Vemos corpos nus o tempo inteiro no carnaval e em outras oportunidades como a praia ou a piscina, por exemplo. Enfim, PODE ser um monte de coisas. Mas não é arte.