sábado, 17 de agosto de 2019

Os jônicos

1. Os jônicos




No quinto século antes de Cristo viveu Tales de Mileto, um amante do conhecimento, um buscador da sabedoria.
Ele visitou o Egito na época em que a batalha sagrada entre ciência e sagrado, inclusive, a batalha para jogar fora a sabedoria da religião egípcia tinha começado. Os padres registravam conhecimento – conhecimento de todos os tipos. Tales aprendeu lá a “escuridão desconhecida ”que produz “água e areia” da qual todas as coisas são feitas. Ele deve ter comparado isso com o que ele leu em Homer e Hesíodo sobre a origem de todas as coisas do Oceanus e de Tethys e, portanto, elaborado o pensamento “água é o primeiro princípio da criação.” Quem sabe ele tenha feito experimentos nisso. Um químico rude ele foi e também, procurou saber que formas materiais são insubstanciais e passageiras. Ele sentia que a fundação da natureza foinuma unidade na qual todas as coisas forma um, uma substância na qual toda partícula – um material capaz de ser formada pelos sóis e pelas estrelas e mundos, árvores, animais e homens, um elemento original com o qual todos oselementos tiveram o seu começo e o que mais semelhante do que a água para seresse elemento original?
É o sangue danaturea, pela qual todas as coisas vivem, sem a qual, todas morrem. Ele pegou um elemento da união original, oque quis dizer com isso, é mais do que podemos dizer. Ele teria se dado conta de que não podia irmais adiante? Ele não fez distinçãoentre o material e o espiritual? Nós nãopodemos responder. Aristóteles dizia queTales acreditava que “todas as coisas estão cheias de deuses. “Laertius que chamava Deus de “omais antigode todas as coisas, poque foi incriado” e Cícero que dizia: “a água está para oinício de todas as coisas, mas Deus foi a mente que criou as coisas daágua.” “Mas porque” perguntouAnaximander, discípulo de Tales “deve ser dada preferência a água em detrimentodos outros elementos? Desse modo, vocêassume que todas as coisas são finitas. Colocando esse elemento entre os outros, colocando-o como o únicoelemento do universo, você o torna infinito. Ele então, cessa de ser água. Porque não chamá-lo, desse modo, “o infinito” é ilimitado, eterno,incondicionado?” Um universo de opiniõessurgiu sobre o significado que Anaximander dava a “infinito”. Ele é material? É incorpóreo? Nós só sabemos que ele acreditou num “infinito” e que todos os seresvierem desse ser. Anaximander teve umsucessor, Anaximenes, cujo pensamento deveria ser determinado com o que éinfinito. Não é água, que é elementomuito grosso, muito material.
Não existe nenhuma existência concebível em pensamento nem perceptível pelos sentidos que apareça infinita – nenhuma essência que seja todas as coisas – e ainda não seja nenhuma delas? Há o que nós chamamos de fôlego,vida, alma. Ele pervade tudo. Ele permeia tudo. Ele penetra tudo. Não é o “infinito”? Nós respiramos ele. Nós vivemos nele. É a alma universal. Isso foi o que Anaximenes quis dizer, nós não sabemos com certeza. Mas é a interpretação do “ar” pelo discípulo de Anaximenes, Diogenes de Apollonia. Ele pensou a divindade como o fôlego divino, ar, espírito, dotado com os atributos da sabedoria e da inteligência e pervardindo o universo do ser. Esses filósofos começaram com essas inquirições que, aparentemente, pertenciam aonatural da filosofia, mas eles não pararam aí; eles não puderam – eles foram além das fronteiras do finito e do fenomenal.

Livre Tradução do escritor e artista visual Mauricio Duarte (Divyam Anuragi) do livro Pantheism and Christianity . John Hunt . 1884 . Religião Grega . Os Jônicos

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terça-feira, 30 de julho de 2019

Lançamento do livro Aurora Boreal de Meus Versos de Bartira Mendes


Hoje, 30 de julho de 2019, é aniversário da minha amiga escritora Bartira Mendes.

É com grande alegria que anuncio o lançamento do livro “Aurora Boreal de Meus Versos” da poetisa e acadêmica Bartira Mendes.



Aurora Boreal de Meus Versos
21 x 15 cm
Capa colorida
Miolo PB
96 páginas
R$ 25,00 + FRETE

Um livro que toca o coração das pessoas em várias dimensões. A alma e o espírito sonhador em seu mais alto grau.

Poema do livro:

Rascunhos de Mim

Portas
Portões
Ladeiras
Rampas
Montanhas
Abismos.
Estradas
Buracos
Fendas
Tudo vira opção.
Nascimento e morte
De mim mesma
Liberdade
Caos nas cenas que se repetem
Embrião lutando pra crescer.
Impulsos em descontrole
Trajetos de idas e vindas
Que me levam pra frente.
Sombra
Luz
Calor
Frio
Abrigo que busco nos pensamentos
Na esperança que nasce
A todo tempo.
Alça
Mala
Saco
Fita
Tudo que tenho
No improviso do agora.
Aparência em decomposição
Página em branco
Poço sem fundo
Que me levam pro mar
A nadar contra e,
A favor do tudo ou nada.

Choro
Lágrimas
Tristeza
Dor
Riso e gargalhadas
Na dignidade
De Ser quem Sou.

Bartira Mendes

(Extraído do livro “Aurora Boreal de Meus Versos” Bartira Mendes . Editora Versejar . páginas 60 e 61 . São Paulo . 2019)

domingo, 28 de julho de 2019

esse universo fictício em metal


Academia Virtual de Letras
Patrono: Paulo Coelho
Acadêmico: Mauricio Duarte
Cadeira: 39



esse universo fictício em metal

boca enferrujada de parafusos,
se destroem um a um, em uníssono
em um quadrilátero ferroviário,
cheios dum aço fundido, ao redor, sim,
da taba com pajés de cocar fixos
na parede do quadro, simulacro
das vias de caborno catorze num
mundo em alamedas metalizadas...

arranha-céus que se condoem ao ver
hordas de demônios ferruginosos,
cantando e dançando no fundo gasto
e retorcido, metal que não acaba
enquanto não vem o tempo da vinda
do Messias Salvador em ferro gusa,
gozo dos deuses que arrebentam essas
cloacas de concreto armado no fogo...

Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)

Livro "Aurora Boreal de Meus Versos" de autoria da minha amiga poetisa e confreira Bartira Mendes Costa, que eu tive o prazer e a honra de escrever o Prefácio

Livro "Aurora Boreal de Meus Versos" de autoria da minha amiga poetisa e confreira Bartira Mendes Costa, que eu tive o prazer e a honra de escrever o Prefácio.
Poesia de alta qualidade que toca o coração de todos em muitas dimensões.




Prefácio

Deus e sonho...
Sonho e Deus...
Representativos são o agradecimento (a Deus) e a dedicatória (aos que não desistiram de seu – próprio – sonho) de uma convicção da autora na simplicidade. Sua poética é fruto de um labor na vida, pela vida e com a vida. Bartira Mendes não se deixa viver sem esperança; nela tudo é “crescimento interior”, é amor que se desprende do estado bruto amoroso e a faz “mergulhar na fé”. Com uma pureza de consciência, no entanto de que “Nesse mundo desencantado / Diluído pela individualidade / E valores distorcidos”, o viver, o viver verdadeiramente, é tão difícil que é necessário considerar a fé como ofício de vida, como ação diária, na qual a religião pode estar presente, mas que o presente, este sim, está sempre sendo experimentado, acima de tudo.
Esta simplicidade se liga diretamente às escolhas das palavras nos seus versos. Não existem, como coloca Domingos Carvalho da Silva em “Uma Teoria do Poema”, palavras poéticas ou antipoéticas. Passam a ser poéticas ou antipoéticas, quase sempre, quase todas, no corpo do poema, no texto do poema. Como diz, L. S. Harris, “grande parte da mais importante poesia inglesa foi inteiramente elaborada com palavras que o povo usa no dia-a-dia da fala comum.” Assim, talvez não seja na nossa língua portuguesa, mais tardia nos ventos da modernidade, ao longo da história, em alguns aspectos... Porém é certo que a erudição pela erudição, ou o rebuscado pelo rebuscado não produzem poesia de qualidade, por si só, de jeito nenhum. Disto sabemos... E Bartira Mendes parece ter este objetivo em mente, o de demonstrar esta questão quando se debruça no seu trabalho poético. Sua poesia poderia ser declamada pelo padeiro da esquina sem muito esforço de memória deste amigo nosso que nos traz o pão quentinho todos os dias. Mas nem por isto faz concessões à qualidade. Pelo contrário. Dir-se-ia que é por este “canto por todos os cantos” – que todos podem cantar – que o seu universo literário canta “As dores e as alegrias / Que o estar viva,/ Já me traz /” e que primam pela qualidade exatamente por causa disto. O viver e o poetizar se mesclam na medida do respirar. Bartira respira poesia... Além disto, a escritora não tenta passar uma tese, ou uma teoria, como poderia sugerir algumas das minhas explanações anteriores. Quando digo que a poetisa tem “o objetivo de demonstrar esta questão”, quero dizer apenas que, do âmago do seu ser, é movida pelo singelo, pela sensibilidade que a leva a espalhá-los a todos, sem exceção. Logicamente, trazer a massa dos indivíduos, dos espectadores, do leitor médio – sem arcabouços literários maiores na sua bagagem de leitura prévia – não é tarefa fácil. A linguagem simples – sintética e não simplória – é uma arma fatal que Bartira usa com maestria.
Maestria essa que não se torna banal, de maneira nenhuma. Antes funda um mito ou um sistema simbólico: “Conversa vai / Conversa vem / De tudo se fala / Do muito se tem, / Conversa vai / Conversa vem / Aceito o desafio / De entre uma palavra e outra / Gritar meus sentimentos / Que mesmo sem rimas / Viram poesias / E de poesia em poesia / Cantam o nosso amor.” Uma simples metáfora pode originar um mito, como diz Max Müller, “a doença mitológica da linguagem”. Mito da imaginação coletivo ressignificado pela poetisa em sua criatividade individual reflexiva. E que mito não é “o cantar do nosso amor”? Como diz Domingos Carvalho da Silva: “Há dois milênios o cordeiro é o mesmo símbolo de Cristo; o teatro não usa máscaras há muitos séculos, mas eles continuam a simbolizá-lo.”
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É certo que a rima não é fenômeno puramente fonético nem puramente ornamento. Tem função de elemento rítmico e estético no poema. Mas os versos brancos e livres, tão praticados no Brasil após a Semana de Arte Moderna de 1922, até 1945, continuaram – e continuam – após isto, tendo sido chamados pós-modernistas, para deleite dos leitores brasileiros e do mundo inteiro. E possibilitam inumeráveis construções em ritmo, que se não obedecem a métrica, obedecem a uma lógica interior própria, onde os versos sem rimas nos levam a um êxtase peculiar de cada peça poética. Assim são os poemas de Bartira Mendes. “Nem ontem / Nem amanhã”, poema representativo no qual está a chave para o entendimento de sua poética, visto que, no hoje, no agora, estamos nós. O momento presente que nos apresenta a verdade: não existem passado e futuro. Um já se foi e o outro não veio ainda. O sentido espiritual desta descoberta é, a um só tempo, “o saborear a vida” e a “coragem de enfrentamento” da vida mesma, cujos frutos nos trarão consciência e discernimento.
Uma “intuição poética natural” conforme diz Greimas, a respeito de uma poética naive que se faz presente em todos, de uma maneira ou de outra, é levada às últimas consequências pela poeta. E mesmo se não considerarmos inteiramente esta tese, sabemos que nos remotos inícios da eternidade dos seres que antecederam toda forma de civilização – e até de humanidade – que hoje conhecemos como tal, os povos (lemurianos e atlantes, quem sabe?) – só se comunicavam em versos ou quase sempre em versos. De modo que há um arcabouço poético em nosso DNA de cada um e de todos. A repetição rítmica e as relações entre a repetição e o significado, estruturam a base de sua poesia, na qual a intuição é mola mestra e o poeta, como queria Yeats, “a voz superior da consciência.”
A função da poética de Bartira Mendes é revelar e acordar, é conscientizar e clarificar, é mostrar e demonstrar, mas, ao mesmo tempo, sua poesia não tem outra função que não a de ser poema, puramente poema, para ser lido e nada mais. Não que seja Torre de Marfim, do poeta recluso em sua poesia pura, mas que tendo consciência de que a militância na poesia política e/ou panfletária de qualquer ordem ou matiz, não configuram qualidade, necessariamente, apenas servem a ditames ideológicos, muitas vezes, sabe do inefável em poesia de modo único. Bartira Mendes, pratica por assim dizer, uma reflexão dos sentimentos, passionalmente lúdicos, em sua grandeza de arte literária.
Deixo o leitor a sós com estes 50 poemas da poetisa Bartira Mendes Costa, escritos sob o signo do agora, do instante no presente, sem mais explicações ou adendos que não se fazem necessários. A poetisa com “Um Gole de Lucidez” apresenta por si própria a sua poesia particular nos versos que detêm, cada um, seu peso estético, sensível e afetivo em medidas generosas. Com a simplicidade de quem sabe onde está pisando.
Deus e sonho...
Sonho e Deus...

São Gonçalo, 25 de novembro de 2018
Mauricio Duarte

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Labuta do escritor

Academia Virtual de Letras
Patrono: Paulo Coelho
Acadêmico: Mauricio Duarte
Cadeira: 39

Homenagem ao Dia do Escritor



Labuta do escritor

Tenho três livros para ler,
um café esfriando,
um cachorro faminto esperando a ração
e a minha cabeça pronta para explodir.

Porque não chega logo a sexta-feira?
Estipulei uma conta plausível com meu despertador:
Ele toca às 6 da manhã
e eu me acordo às 11 horas.

Carrego comigo toda dor de anos a fio escrevendo.
Pulsando o tempo passado,
como que reiterando a derrota diária
de transcrever o passado pela escrita.

É isso que fazem os escritores, não é?
Arrastam a sua dolorida
mão pelo passado para que ele
não nos tome de assalto.

Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Abertas inscrições para Antologia “Mil Poetas pela Paz”




Abertas inscrições para Antologia “Mil Poetas pela Paz”



O Caderno Literário e a Editora Pragmatha abriram inscrições para a antologia Mil Poetas Pela Paz. A proposta é reunir em um livro manifestações poéticas de mil autores conscientizando sobre a necessidade e importância da paz entre povos, nações e seres humanos.

As inscrições são gratuitas e estão abertas pelo site CódigoTxt, que integra, assim como o Caderno Literário, a Editora Pragmatha. Segundo a editora, Sandra Veroneze, tão logo se chegue às mil inscrições a antologia será concluída, em formato ebook e com os devidos registros legais, podendo haver também a impressão da obra.

É permitida uma inscrição por poeta e entre os participantes será sorteada a edição de um livro solo de 102 páginas com tiragem de 100 exemplares.

O tema da antologia é Paz e as inscrições estarão abertas a partir do dia 23 de julho de 2019 até se concluir a inscrição de mil poetas.

O Regulamento pode ser acessado no link: https://codigotxt.com.br/regulamento-antologia-mil-poetas-pela-paz/

As inscrições podem ser feitas pelo link: https://codigotxt.com.br/formulario-de-inscricao-antologia-mil-poetas-pela-paz/
https://codigotxt.com.br/abertas-inscricoes-para-antologia-mil-poetas-pela-paz/

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Capítulo 4 . Filosofia judaica

Capítulo 4 . Filosofia judaica



As escrituras hebraicas começam com a criação do mundo. O Deus criador ou deuses é chamado Elohim, “um nome” diz, Jesenius, “retido do politeísmo e que significa os mais altos poderes o inteligências”. Que o escritor sacro deva usar uma palavra vinda do politeísmo não surpreenderá aqueles que entendem a natureza da linguagem, mas que o escritor, ele mesmo, tenha passado do politeísmo para a crença em um único Deus é evidente do todo da recordação da criação e é confirmado pela história que sucedeu. Para Abraão, Isac e Jacó, o nome de Deus é Al Shaddai. Para Moisés, Deus revelou a Si mesmo pelo nome de Jeová ou Eu sou. O Deus de Moisés é o puro Ser. Foi o nome Jeová que manteve os judeus for a da idolatria. Na mesma proporção que eles interromperam o pensamento do seu libertador como o ser indizível, eles estavam em perigo de cultuar os deuses das nações. “Esse novo nome”, como Dean Stanley diz, “através a si mesmo de penetrar na mais abstrata e metafísica ideia de Deus, seu efeito foi o de maior oposição da mera abstração.” Os velhos judeus não especulavam sobre a essência de Deus, embora eles tivessem alcançado a mais alta concepção dessa essência. Guardados pela declaração, uma vez por todas de que a natureza de Deus foi misteriosa e seu nome, inefável, eles estavam livres para faze-lo como uma pessoa – de dar a ele atributos e de representá-lo como a imagem de um homem. Ele tem mãos e pés. Ele regula como um rei, habitando com Israel em Canaã, protegendo-os com sua arma poderosa e olhando por eles com seus próprios olhos abertos, que estão em todos os lugares, contemplando o mal e o bem. As grandes montanhas são as montanhas de Deus; as árvores altas são as árvores de Deus e os rios poderosos, são os rios de Deus. Ele é a rocha da segurança, que é perfeita. Ele fez o Líbano e a Síria livrarem-se como um jovem unicórnio.
É a sua voz que ruge no furioso dos mares, é a sua majestade que fala no trovão e quando a chuva torrencial e a tempestade se abatem sobre os cedros poderosos, é a voz do Senhor, sim, é o Senhor que se abate sobre o cedro de Líbano. Esse salmo expressa toda a extensão que os velhos hebreus vieram com sua identificação de Deus e a natureza. Eles nunca ultrapassaram isso até na poesia e nunca esqueceram que o Senhor assentou-se nos fluídos da água e que o Senhor é o rei para sempre. A personificada tendência natural de uma raça de homens que tem que lutar por sua própria existência nacional, bem como pela doutrina da divina unidade, interferiu em todas as especulações que concernem à divina essência. Isso os expôs à idolatria contra a nacional existência que significava uma contínua cegueira. A busca por símbolos levou-os a ligar Deus às coisas no céu e à terra e às águas sob a Terra. O mundo, de acordo com Josephus é o “templo púrpura de Deus” e para imitar esse templo, os judeus construíram o tabernáculo e mais tarde o grande templo de Des em Jerusalém. Os símbolos permitiram a eles criarem objetos de culto por Moisés, Davi e Salomão. As imagens iam da natureza para expressar Deus que preparava-os para o culto de Baal e Ashteroth, o sol, a lua e as estrelas, os deuses dos Sidonians de Caldéia e as nações ao redor deles.
Nós podemos, quem sabe, estabelecer a origem da filosofia judaica pelo tempo do cativeiro. A ideia metafísica envolvia no nome de Jeová tornou-se proeminente e agia como parte disso, como a ideia personificada tinha feito antes disso. O pecado dos judeus na é mais idolatria. Eles estavam, daqui por diante, sem Teraphim. A união de Deus não era desconhecida tanto para os caldeus quanto para os persas. Abraão apenas conservou uma doutrina bem conhecida aos ancestrais da Caldéia, mas nesse dia quase oculta pela idolatria prevalecente. Quando os judeus chegaram à Babilônia e à Pérsia, eles ouviram de novo as sagas da nação filosófica de Deus ou a ideia implícita no nome, Eu sou, vinha naturalmente no seu próprio desenvolvimento? A resposta é imaterial. Os rabbis judeus que seguiam a ideia metafísica de Deus, mantiveram essas especulações que eram familiares aos judeus letrados e que, pelas escrituras, falavam de Deus como uma pessoa, que era uma necessidade da mente popular já distinguindo entre o popular aspecto da teologia dos judeus e da teologia ela mesma. Os últimos forma o aprendizado esotérico, os primeiros, os aprendizados simplesmente exotéricos. Aos rabbis foi confiado a filosofia oculta que a multidão não poderia receber. O quanto a filosofia rabínica concordava com as escrituras ou diferia delas deve ser deixado em aberto, no presente. Os judeus helênicos podem ter tomado emprestado dos gregos e dos orientais ou os gregos e os orientais podem ter tomado emprestado dos judeus. Ou ainda, de novo, podem ter sido filosofias cada uma com naturais desenvolvimentos concomitantes. Alguns pensamentos pertencem universalmente ao solo do intelecto humano e tem um crescimento independente entre as nações que não tem contato uma com a outra. Mas mesmo quando uma doutrina é tomada emprestada, ela encontra previamente uma disposição a ser recebida, para que um tomador apenas toma o que é congênere à sua própria mente. Professores espirituais como Schleiermacher dizem que não escolhem seus discípulos; os discípulos que os escolhem. Os muitos pontos de concordância entre o judaísmo e as filosofias gregas e orientais, deixam em aberto para dizermos que os pagãos conseguiram sua sabedoria dos judeus ou que as raízes e os germes das doutrinas cristãs são reveladas na razão universal. Os judeus que especulam mantém a opinião de que a filosofia do judaísmo como eles entendem, foi a busca e o começo de todas as filosofias. Platão está com eles, mas um Artic Moisés e Pitágoras, um filósofo grego que tomou emprestado os mistérios das mônadas e tétrades do povo escolhido. Nós supomos que pelo tempo do cativeiro, os judeus tivessem uma filosofia da religião; mas dessa filosofia existem traços muito raros e as autoridades são incertas, até cerca do começo da era cristã. Eusebius preservou alguns fragmentos de Aristobulus, suposto judeu Alexandrino, mencionado no livro Macabeus como o instrutor do rio Ptolomeu. Nesses fragmentos, Aristobulus claramente distingue entre Deus, ele mesmo, como o primeiro Deus, o inefável e o invisível e Deus como manifestação do mundo fenomenal. E em cartas escritas a Aristeas, o bibliotecário de Ptolem Philadelphus, nós vemos o judaísmo e o helenismo formando uma aliança tão próxima que cada um respeita o outro como uma diferente forma de si mesmo. Aristeas informa Ptolemy que o mesmo Deus que deu a ele seu reino, deu aos judeus suas leis. “Eles cultuaram Ele” diz Aristeas, “Ele que criou tudo, provê tudo, é cultuado por todos e especialmente por nós, apenas com outro nome.” E Eleazar, o maior príncipe de Jerusalé quando perguntado por Aristeas se não era indigno de Deus, dar leis que concernem à carne, como essas dadas aos judeus, respondeu: “elas são também insignificantes e penso que elas serviram para manter os judeus como um povo distinto, já com eles dentro de um profundo significado alegórico” , “É o poder de Deus sobre todas as coisas”, palavras que os estudantes da filosofia alexandrina viram como uma intimação desse Espírito que é sobretudo e em tudo. Já foi colocado também, que a versão grega das escrituras feita em Alexandria, tem evidentes marcas da influência do pensamento grego nas mentes dos tradutores, que entendiam que essas palavras foram escolhidas como uma etapa clara para uma interpretação platônica e, às vezes, até sugerindo isso. Alguns dos “Eu sou o que eu sou” que tem o “Eu sou Ele que é” e o segundo vrso do primeiro capítulo de Genesis onde as palavras dos hebreus simplesmente significavam que a terra estava em confusão, foram traduzidas: “A Terra estava invisível e informe”, pontuando, como foi suposto, que o ideal da típica criação de Platão que precede o material. “O Senhor dos Exércitos”, é usualmente traduzido: “O Senhor dos poderes” ou “o Senhor dos poderes do Céu.” Onome grego para os deuses inferiores.
O livro dos Apocrypha, que foi em sua maior parte, escrito por judeus helênicos, foi também imprimido nesse sentido, mas a evidência que eles fornecem é incerta. De Solomon foi dito que ele se dizia como o bem vindo com um corpo, o que parece estar aliado a ideia platônica do corpo sendo a causa do pecado. Ele também se dizia o incorruptível Espírito de Deus em todas as coisas. Mas os versos supostos sendo os mais conclusivos, são aqueles que o dizem como a sabedoria do poder criativo de Deus: “Uma pura influência planando pela glória do Abençoado. Ela é o brilho da última luz – o espelho do poder de Deus – a imagem da sua bondade, e sendo o ser que pode todas as coisa e permanecendo ela mesma que faz tudo em todas as eras, entrando em abençoados espíritos , ela é a energia de Deus e dos profetas. Ela preservou o primeiro pai do mundo formado, que foi criado, sozinho e brilhou fora da sua queda. De novo, o filho de Sirach, fez de sua sabedoria um louvor a ela:
Eu vim da própria boca do Altíssimo
E cobri a terra como uma nuvem
Eu habitei nos mais altos lugares
E meu trono está num pilar de nuvens
Eu sozinho alcancei o circuito do Céu
E caminhei no fundo do mais profundo
Nas ondas do mar e em toda terra,
E em todas as pessoas e nações, eu alcancei uma possessão
Com tudo isso eu sussurro em paz:
Em qual herança devo eu permanecer:
Então o Criador de todas as coisas me deu um comando,
E Ele que me fez, criou a paz do meu tabernáculo,
E disse, deixe estar em Jacó
E na herança de Israel
Ele me criou desde antes do começo do mundo,
E eu não devo falhar.
No tabernáculo sagrado eu serei antes dele:
E então eu permaneci em Sião
Como na amada cidade, ele me deu paz
E em Jerusalém está meu poder.
E eu tive raízes em pessoas honradas,
Até a porção da herança do Senhor.
...................................................
Eu sou a mãe do amor
E medo, sabedoria e esperança sagrada,
Eu, sendo eterna, fui dada a todos os meus filhos,
Que são nomeados por Ele.

Que esses versos falam da sabedoria como o poder criativo de Deus, em muito, do mesmo modo, como a sabedoria é falada na filosofia dos gentios, isso não é negado. É também verdade que eles foram conpostos em grego e numa cidade pagã; mas suas aproximações com as palavras da sabedoria no livro dos Provérbios nos proíbe de dizer que eles foram tomados emprestado da filosofia dos gentios. O escritor pode, inclusive, ter sentido a harmonia entre os pensamentos dos alexandrinos e os pensamentos dos judeus e ter tido prazer em mostrar que os gentios e sua nação estavam já em possessão de uma filosofia não inferior à filosofia deles.

Livre Tradução do escritor e artista visual Mauricio Duarte (Divyam Anuragi) do livro Pantheism and Christianity . John Hunt . 1884 .  Capítulo 4 . Filosofia Judaica

Visite o site Panteísmo e Cristandade com todos os textos traduzidos: https://sites.google.com/site/pantheismandchristianity/home


Leia mais: https://www.divulgaescritor.com/products/capitulo-4-filosofia-judaica-por-mauricio-duarte/

Capitulo 4 - Filosofia judaica

Leia o novo texto da minha Coluna no Divulga Escritor .


Capitulo 4 - Filosofia judaica

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Bruma de Cabo Verde - Minha participação no Caderno Literário Pragmatha no. 74

Minha participação no Caderno Literário Pragmatha no. 74.




Bruma de Cabo Verde

Cantando e caminhando,
vivendo e acariciando
o que restou da luz.

Mas a bruma não se dissipa...

Observando e clamando,
xingando e especulando
o que restou da sorte.

Mas a bruma não se dissipa...

Movendo e antecipando,
planejando e temendo
o que restou da paz.

Mas a bruma não se dissipa...

Determinando e lendo,
amando e procedendo
o que restou da lida.

Mas a bruma não se dissipa...

Lamentando e calando,
meditando e rezando
o que restou da fé.

Mas a bruma não se dissipa...

Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)

(Extraído do Caderno Literário Pragmatha no. 74 . página 97)

domingo, 7 de julho de 2019

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Religião Persa - por Maurício Duarte


Religião Persa - por Maurício Duarte



A respeito da antiguidade da religião dos persas, nós não podemos falar com certeza. Os livros sagrados chamados Zend Avesta, são os carros-chefe da informação, mas são apenas um fragmento das escrituras originais – parte das 21 divisões nas quais elas estão divididas. O Zend Avesta foi escrito ou coletado por Zoroastro, o grande profeta da Pérsia, cinco ou seis séculos antes da era cristã. No entanto, é geralmente admitido que porções das escrituras do Zend Avesta sejam muito mais antigas do que o tempo de Zoroastro. Os Parsees, tanto por sua língua quanto por sua mitologia, são relacionados pelos indianos como membros da grande família ariana e como eles habitaram o nascedouro da raça humana, é possível que a religião da Pérsia seja a mais antiga do mundo. Quando nós a comparamos com o Brahmanismo, achamos que cada uma possui suficiente distinção individual em si mesma. O mitólogo ingênuo encontrará muitos pontos de contato, mas, em geral, o estudioso será mais restrito para ver suas diferenças.
Brahmanismo é mais metafísico; a religião persa é mais ética. O espírito de um é a contemplação e do outro, atividade. O indiano é passivo e especulativo; o persa não tem tendência especulativa, mas é mais concentrado em se opor às forças do mal que estão no mundo e dominar o que ele sente ser a vocação do homem. Ao nível de que a religião persa é eticamente forte, podemos removê-la do que chamamos de panteísmo; mas o lado especulativo clama a nossa atenção, bem como pela sua existência mesmo, assim como pela sua subsequente história e sua conexão com outros sistemas de religião e filosofia.
Muito foi escrito, não só na França e na Alemanha, mas na Inglaterra, sobre o infinito e impessoal deus da religião persa antiga. Seu nome é Zeruane Akerne, sem bordas do tempo ou começo do tempo. A ideia da sua existência é simultânea na mente com as ideias de tempo infinito e espaço infinito. Ele é o ser que tem que constituir a eternidade e o infinito. É que a religião persa tem essa ideia de um ser inexprimível, que está acima de todos os deuses como Brahma está acima do Trimurti, isso sendo considerado como determinado. Mas parece que o nome pelo qual esse ser é conhecido pelos mitólogos europeus é uma mera tradução mal formulada de uma sentença do Zend Avesta. Zeruane Akerne não é um nome, como estudiosos recentes da Pérsia mostraram, simplesmente significa tempo infinito. A passagem é: “Spento-Mainyus (Ormuzd) criou ele criou o tempo infinito (Zeruane Akerne).” O ser infinito dos persas é sem-nome, mas algumas vezes é chamado pelos nomes de todos os deuses. Ele tornou-se pessoal. Ele é Ormuzd, deus da luz; Mitra, o reconciliador entre a luz e as trevas; Honover, a palavra da qual vem a sabedoria eterna e cujo discurso é a criação eterna. Hesychins chama Mitra, o primeiro deus entre os persas. Na sua conferência com Themistocles, Artabanus descreve Mitra como o deus que cobre todas as coisas. Porphyry, citando um pensamento de Eubulus a respeito da origem da religião persa, fala de uma caverna que Zoroastro consagrara em honra a Mitra, o feitor e o pai de todas as coisas. A caverna é adornada com flores e climatizada com fontes e é entendida como uma imagem ou um símbolo do mundo como foi criado por Mitra. O mesmo Porphyry recorda que Pitágoras exorta os homens ao, principalmente, amor à verdade, o qual, sozinho, poderia levá-los a Deus. Ele aprendera, coloca, dos magos, que deus, que ele chamava Ormuzd, como seu corpo exalava luz e seu espírito, a verdade. Eusebius, citando um antigo livro persa com as palavras de Zoroastro de que “deus é o primeiro ser incorruptível e eterno, não-formado e indivisível, juntos, diferente de todos os seus trabalhos, é o princípio e o autor de tudo o que é bom. Presentes não podem movê-lo, ele é o melhor dos bons e o mais expert dos experts. Dele provém a lei e a justiça.” Os oráculos caldeus, dirigindo-se a Zoroastro, chamam deus de “aquele do qual todos os seres brotam.” Nessa passagem, Psellus, o escolástico, diz, “Todas as coisas, sejam pertencentes a mente ou aos sentidos, derivam sua existência de deus sozinho e retornam a ele, bem como esse oráculo não pode ser condenado, pois está cheio da sua doutrina.”
Essa unidade original e impessoal criou Ormuzd que, então, tornou-se o chefe dos deuses. Ele é a pessoalidade da divindade viva, o primeiro de todos os seres, a imagem resplandescente da infinitude, o ser em cuja existência é imaginada como cheia de tempo eterno e espaço infinito.
É comumente dito que os persas cultuavam dois deuses. Esse é o legado dado tanto por escritores islâmicos como por escritores cristãos, mas os persas, por eles mesmos, sempre negaram isso. Eles não são dualistas, mas monoteístas de um lado e politeístas do outro lado. Ormuzd sozinho é cultuado como o deus supremo. Seu reinado é coextensivo à luz, à bondade; ele abarca toda pureza das existências na terra e no Céu.
O domínio de Ormuzd tem três ordens: A primeira é Amshaspands ou dos sete espíritos imortais, que Ormuzd, nele mesmo, é um deles. Ele criou os outros seis e regula todos eles. A segunda ordem é a das vinte e oito Izeds e a terceira, uma inumerável quantidade de espíritos inferiores chamada os Fereurs. Os Izeds são os guardiões espirituais da Terra; por eles é abençoada e feita frutuosa. Eles são também juízes do mudo e protetores dos pios. Toda embarcação tem um Amshaspands ou Ized; mesmo cada hora do dia tem um Ized como seu protetor. Eles são os observadores dos elementos; os ventos e as águas estão submetidos a eles. Os Fereurs são sem-número porque o ser não tem limitações. Eles são coextensivos com a existência; sendo como se eles fossem parte do ser universal que, através deles, faz-se presente sempre em todo lugar. Os Fereurs são os ideais – protótipos ou padrões das coisas visíveis. Eles vem de Ormuzd e tomam forma no universo material. Por eles cada um e toda a natureza vive. Eles realizam ofícios sagrados no grande templo do universo. Como altos dignatários, eles apresentam as orações e oferecimentos a Ormuzd. Eles olham pelos pios em vida, recebem seus espíritos que se foram na morte e os conduzem pela ponte que passa da Terra ao Céu. Os Fereurs constituem o mundo ideal, já que todas as coisas possuem o seu Fereur, desde Ormuzd até a existência mais baixa. O eterno ou o próprio-existente expressa a si mesmo no mundo pelo todo-poderoso e essa expressão do ser universal é o Fereur de Ormuzd. A lei tem o seu Fereur que é o seu espírito. É o que é conhecido pela palavra Deus. No julgamento de Ormuzd, o Fereur de Zoroastro é um dos mais bonitos ideais, porque Zoroastro preparou a lei.
Mas há um outro reinado abaixo do de Ormuzd, rei da luz. É o reinado de Ahriman, o senhor da escuridão. Ele não é adorado como deus, mas possui grande poder sobre o mundo. O esforço dos persas para resolver o problema do mal é visto nessa ideia do reinado da escuridão. Isso emerge face a face com o reinado da luz. Não há a não-esperança da existência humana que nós achamos no budismo; mas há a declaração que o mal é inseparável do ser finito. A velha pergunta foi respondida: “O que é o mal?” Como ele que criou a luz pode também criar a escuridão? Se ele foi bom e a reconectou para fazer o reino da bondade, como ele também pode fazer o reino do mal? A resposta é: Não veio da vontade do eterno. A criação do reino do mal e das trevas foi um inevitável resultado da criação do reino da luz e da bondade. Como uma sombra acompanha um corpo, assim o reino de Ahriman acompanha o de Ormuzd. Os dois reinos embora opostos, um ao outro, tem uma organização similar. Um é a contrapartida do outro. Na cabeça do reino do mal está Ahriman. Então, sete Erz-dews e uma inumerável multitude de Dwes. Eles foram criados por Ahriman cujo único e grande propósito foi a oposição ao reino de Ormuzd. Quando a luz foi criada, então Ahriman veio do sul e misturou os planetas. Ele penetrou por entre as estrelas fixas e criou o primeiro Erz-dwe, o demônio da inveja. Esse Erz-dwe declarou guerra contra Ormuzd e a longa batalha teve início. Como na Terra, bestas-feras lutam contra bestas-feras, assim, espíritos guerreiam contra espíritos. Cada um dos sete Erz-dwes tem seu especial antagonista entre os Amshaspands. Eles são do norte e são ligados aos planetas; mas como poderes e dignatários no reino de Ahriman, eles recebem a homenagem dos Dews inferiores e são servidos por eles como os Izeds são servidos pelos Fereurs. A existência do reino da escuridão é uma acidente na criação – uma circunstância que surge da manifestação do infinito mesmo, como o finito Ele permite o mal continuar, não porque seja muito forte para ele, mas porque fora dele, ele pode evocar uma bondade maior. A limitação será finalmente removida. A discórdia entre luz e escuridão acabará. O reconciliador aparecerá e então, começará um reino eterno de luz sem escuridão e pureza sem mancha. Os espíritos de Ahriman serão aniquilados. De acordo com algumas representações, o chefe deve ser aniquilado com eles; mas outras pensam que ele continuará a reinar sem um reino. Agora os Izeds esperam pelas almas afastadas e as preservam para o dia final; eles devem então, ir adiante e serem purificados com fogo. Eles devem passar por montanhas de lava incandescente e ir adiante sem hesitação e sem parar. Ahriman deve ser lançado na escuridão e o fogo dos metais deve consumí-lo. Toda a natureza deve ser renovada. O Hades deve ir embora. Ahriman foi-se. São regras de Ormuzd. O reino da luz é um e tudo. Mas quem é o reconciliador? Mitra, o deus homem. Ele é deus e ainda está na forma de um homem. Todos os atributos de Ormuzd são concentrados numa forma humana e fazem Mitra. Ele é o fogo, a luz, a inteligência, a luz do Céu. Para os persas o fim de toda religião é tornar-se luz. Em toda natureza, a religião clama pela vitória da bondade contra o mal. Ela crava a luz para o corpo e para o espírito, luz para guiar a casa, luz para regular o estado. Como símbolo de tudo que é bom na criação, seu choro é por luz, luz, mais luz!
Mitra é o doador da luz. Mas como distinguí-lo de Ormuzd que regula o reino da luz? Isso não é fácil de responder. Tornaria perplexo o mitólogo que quisesse achar um lugar para Mitra no panteão persa, sim, encontrar um lugar para ele de qualquer modo, sem dar a ele, atributos de Ormuzd, assim como Ormuzd tem que ter alguns atributos daquele que é inefável. Mas a perplexidade do mitólogo não quer dizer nada. É o bastante, para os persas, que Mitra é o mediador – o deus homem ou o lado humano de Deus. É o bastante, para os persas, que ele seja luz, o criador da luz, o grande defensor da luz contra as trevas e que ele finalmente alcançará a vitória, pela qual os discípulos de Zoroastro esperam por longo tempo. O Sol deve ser a sua imagem, ele é como aquele globo de fogo; é um reflexo do seu esplendor. Ele é a luz forte que vem do Eterno e ele é o princípio da luz material e do fogo material. Além do mais, os persas dizem em suas oferendas à chama sagrada, “Deixem-nos cultuar Mitra.”
Quando o mundo finito foi criado, a escuridão colocou-se em oposição ao Mitra, mas essa oposição é posicionada apenas no tempo. É a batalha do dia contra a noite; o lado da luz do ano lutando com o lado escuro; piedade guerreando contra impeiedade, virtude contra vício. O Eterno apenas criou a luz, mas a escuridão despontou e como o mundo emana dele, ele não pode deixá-la. Como Mitra, ele media e trabalha para alcançar a vitória. Nós vemos o grande Sol brigando e lutando, todo ano, sim, todo dia, ele obtém uma vitória nova e se purifica da mancha da escuridão. Isso não é Mitra? Qual o outro poder está nesse Sol a não ser a luz inteligente que luta contra a escuridão? Há esse princípio poderoso do certo que está lutando pela vitória; há esse eterno esplendor que se espalha e que é muito forte para a escuridão e antes disso todas as manchas devem desaparecer e todas as sombras irem embora. O reino da escuridão deve, ele mesmo, ser iluminado pela luz do Céu. O Eterno receberá, de novo, o mundo nele próprio. O impuro deve ser purificado e o mal feito bondade pela meditação de Mitra, o reconciliador de Ormuzd e Ahriman. Mitra é a bondade, seu nome é amor. Em relação ao Eterno, ele é a busca da graça; em relação ao homem, ele é o doador da vida e o mediador.
Ele trouxe a palavra como Brahma trouxe os Vedas, da boca do Eterno. É ele que fala nos profetas, é ele que consagra nos padres; é ele a vida do sacrifício e o espírito dos livros da lei. Nos heróis, ele é o que é heróico, nos reis é o que é nobre; no homem ele é homem. Há uma representação de Mitra da antiga escultura persa. Ele é um homem jovem prestes a cravar uma faca no touro equinocial. Deus condescendente aos limites de tempo e espaço, tornou-se incorporado ao mundo, identificando-se com a natureza perene. Então, por um acaso de auto-sacrifício que origina vida, ano após ano, a vida na natureza traz uma vítima para as estações.
A criação é, às vezes, descrita como Mitra e, às vezes, como Ormuzd. Deus aparece e fala a palavra “Honover”. Através dessa palavra, todas as coisas vivas são criadas. O progresso da criação avança como Ormuzd continua a pronunciar a palavra e é mais audível quanto mais a criação torna-se viva. Do Céu invisível que ele habita ele criou o céu em volta no espaço de 45 dias. No meio do mundo, sob o dwelling de Ormuzd, o Sol está colocado. A Lua surge e brilha com sua luz mesma. Uma região é endereçada a ela, na qual ela produz verdura, dá calor, vida e contentamento. Abaixo, é colocado o céu de estrelas fixas de acordo com os signos do zodiaco. Então os altos espíritos foram criados – os Amshaspands e os Izeds. Em 70 dias, a criação do homem foi completada e, em 375 dias, tudo foi criado por Ormuzd e Ahriman.
Honover, a palavra criadora “Eu sou” ou “Deixe estar”, é o elo que faz, de tudo, um só. Ela une terra e céu, o invisível ao invisível, o ideal ao real. Um período pode ser assinalado para a criação, mas, na verdade, a criação é eterna. Ormuzd tem criado sempre. De momento a momento, em eras eternas, a palavra tem sido dita pelo Infinito, pelos Amshaspands, pelos Izeds, pelos Fereurs, por todos os espíritos através da natureza. Esse é o mistério pelo qual e do qual o mundo ideal tem a sua existência. É o grau de todos os seres, o centro de toda vida, a busca de toda prosperidade. A lei de Zoroastro é a incorporação da lei de Ormuzd; desse modo, o Zend Avesta, ele mesmo, é chamado palavra viva.
Nesse Honover misterioso, os originais e os padrões das coisas visíveis existiram eternamente. Aqui nós captamos um reflexo do significado do culto simbólico da Pérsia. Considerando todas as coisas visíveis como cópias do invisível, o ideal foi cultuado através da sensibilidade. Orações são endereçadas ao fogo e à luz, ao ar e à água, porque os originais deles foram do mundo de Ormuzd. Mas principalmente ao fogo; templos foram erigidos à sua consagração; liturgias colocadas em seu culto; o fogo sagrado foi seguido antes do rei; ele queima religiosamente em todas as casas e em todas as montanhas. Não que a adoração seja diretamente e fortemente ao mero elemento material, mas sim à divina e forte existência cujo fogo é uma cópia, o símbolo, a representação visível. O que é o fogo? Espírito manifesto; matéria em sua passagem para o não-visto. O que é a luz? Quem pode descrever o esplendor que irradia no mundo? Não é a reiteração da majestade de Ormuzd, a efulgência do intelecto do infinito, tudo abarcando o Um?
Esse simbolismo é visto em toda natureza e em todas as formas da vida social e civil dos persas. O monarca iraniano é uma cópia do monarca do universo. Há sete ordens correspondendo aos sete Amshaspands. Há graduações e rankings que são todos misturados em um. Assim como no Estado, assim é, na família; ela é moldada a partir do padrão de coisas estabelecido. No mesmo princípio, todos os animais são divididos entre Ormuzd e Ahriman. Eles são classificados como úteis e peçonhentos, limpos e sujos. Como os reinos da luz e da escuridão tem seus chefes, assim também os reinos animais tem seus protetores e líderes. O unicórnio representa uma das puras bestas de Ormuzd, enquanto o símbolo representativo do reino de Ahriman foi um monstro – em parte um homem, em parte um leão e em parte um escorpião. Os observadores e a visão de grande alcance dos espíritos foram simbolizados por pássaros: eles pertencem à pura criação e são inimigos de Ahriman. Ormuzd foi representado pelo falcão e pela águia, cujas cabeças são supostamente imagens do tempo eterno. O dragão-serpente é Ahriman; seus espíritos são dwes e o seu símbolo é o Griphon, habitando as fendas das rochas desoladas. Nesse caminho de unidade diferenciada e inteligível, os persas colocaram o ser, bem como a origem de todas as coisas, no Um Impessoal.
O autor da introdução* da versão em inglês do Zend Avesta encontra, na religião persa, a mistura de muitos pensamentos arianos e semíticos. “A origem”, ele diz, “de muitos deuses e heróis que os persas cultuam e exortam, sem saberem quem são ou de onde eles vieram, foi subitamente revelada pelos Vedas. A religião dos magos foi o desenvolvimento iraniano da religião indiana e faz o segundo estágio do pensamento ariano. O supremo ou deus do céu foi Varana, uma divindade védica, o todo abraçando o céu. Os atributos espirituais do deus do céu foram diariamente se tornando mais e mais fortes e definidos e seus atributos materiais foram mais e mais colocados como pano de fundo. Embora, ainda, muitas características traiam essa formação, no corpo ou na natureza do céu. Ele é branco, brilhante, visto além e seu corpo é o melhor e o maior de todos os corpos. Ele tem o Sol como seu olho, as asas como bases, o fogo da iluminação por seu filho. Ele vete os céus como o branco enfeita o vestuário.”

  • James Dermestcter


Livre Tradução do escritor e artista visual Mauricio Duarte (Divyam Anuragi) do livro Pantheism and Christianity . John Hunt . 1884 . Religião Persa

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