segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

O Galo Azul de Ana Pirolo

O Galo Azul de Ana Pirolo




Ilustrar é encantar...  Encantamento e fruição da arte que “ilumina” o livro e, sobretudo, o livro infantil e infanto-juvenil...  Ana Pirolo conhece e maneja a arte de ilustrar como poucos.  A anatomia da imagem, conforme nos diz, Rui de Oliveira, em sua terceira parte do Reflexões sobre a arte de ilustrar livros para crianças e jovens, é lapidar nesse sentido.  “As passagens secretas” ou “portas” para que o leitor tenha as suas próprias interpretações sobre o texto, primando por um “certo distanciamento crítico perante o texto”, como nos diz o professor e ilustrador Rui sobre ilustrar, nos remetem à magia do Galo Azul de modo peculiar...
Na capa do livro um azul céu domina a cena e um azul um pouco mais forte é parte principal do corpo do galinho que não está todo na capa, ele meio que se esconde, como um pavão às avessas, mostrando suas penas que “esvoaçam com o vento”, mas não todas.  O Galo é símbolo da força e como símbolo dos franceses, por exemplo, nos traz a simbologia da palavra... Neste caso, Gallus que se assemelha aos habitantes da Gália, antiga região onde hoje é a França.  Um Galo barulhento e bagunceiro, um amigo inseparável no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, quando da infância da própria autora, cabe como referência da história.  Uma história fabulosa que sendo de autoria de Ana Pirolo, também possui outra peculiaridade... Faz parte da Coleção “Cada obra com a sua história” e a obra, no caso específico, é uma acrílica sobre papel de fibra de algodão, de título “Galo Azul”.  Esta é a pintura que deu origem à história.
Apesar de, na acrílica, o Galo se apresentar por inteiro, é como se não estivesse inteiro... Há algo de virtualidade nele...  Deslocado ligeiramente do centro visual da obra, o olhar do Galinho nos traz, por isto mesmo, um esplendoroso guia visual numa composição em J invertido, talvez, numa má comparação da estrutura da peça de arte com letras do alfabeto.
O certo é que as cores diversas das suas penas, no centro da obra, dominam o interesse visual, servindo de contraponto ao azul forte da maior parte do corpo do Galinho e do vermelho berrante da sua crista e papada.  O azul clarinho no céu e o coral claro no chão, também são contrapontos perfeitos...
O Galo Azul possui discurso literário e discurso visual narrativo azeitados e que, em conjunto, levam o leitor a um universo mágico e único, onde a criança se deslumbra com os espaços do real e da imaginação.  Ana Pirolo é artista visual de mão cheia e nos mostra o quanto é necessário trazer a literatura e a arte para o convívio dos pequenos e pequenas, desde cedo.  Só assim, teremos no futuro, cidadãos e cidadãs conscientes plenamente do seu lugar na sociedade, com imaginário lúdico e sadio.
O livro Galo Azul está disponível para venda no site da Editora da Galeria da própria autora e ilustradora Ana Pirolo.

Mauricio Duarte   

Contatos com a artista:
WhatsApp: (12) 98131-3071
Página do Facebook: @galeriaanapirolo


Leia mais: https://www.divulgaescritor.com/products/o-galo-azul-de-ana-pirolo-por-mauricio-duarte/?fbclid=IwAR2nzVdto_yul4P7YuJWO6WjCfkPjxeULdaqpsU1odgXpu-yITXo0bvmu_o

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Além da Terra, Além do Céu



Certificado da minha participação, Mauricio Duarte, na Antologia de Poesia Brasileira Contemporânea - Além da Terra, Além do Céu . Vol. III da Editora Chiado.




Poema selecionado:


Vazio

Era dos signos-marcas
em todos espaços,
todos lugares, virtuais ou não.
Símbolos-identidades,
tremeluzindo e
piscando ininterruptamente...

Sinergia dos logotipos
em profusão cabalística
a sorrir e deitar-se para
o sexo; vende-se o sexo,
qualquer um, não importa.
Ícones da luxúria onipresente...

São os donos ilimitados
das ruas, shoopings, praças,
bares, avenidas, olhos, mentes.
Lembram-nos do grande
vazio existencial
que enchemos de nada...

Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Apesar


Academia Virtual de Letras
Patrono: Paulo Coelho
Acadêmico: Mauricio Duarte
Cadeira: 39



Apesar

Apesar deles, é
despertar da manhã.
Força, vida luz, fé.
O surgir do amanhã...

Despertar matutino,
em delicadas cores
do dourado no solar;
os raios cujos amores
me trazem um tal chorar
de Deus, que vem, senhores,
depois: chuva, a calar
vozes dos estupores
que queriam tudo matar...

Apesar deles, é
despertar da manhã.
Força, vida luz, fé.
O surgir do amanhã...

Despertar matutino,
ruídos do dia que chega,
sem pressa de começar.
Missa das seis na igreja.
É domingo? Almoçar,
com família na mesa.
Apesar desse clamar,
dos que queriam fraqueza;
decaída do nosso amar...

Apesar deles, é
despertar da manhã.
Força, vida luz, fé.
O surgir do amanhã...

Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)