segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Dançando entre o fogo




Dançando entre o fogo

Vislumbra as labaredas,
o quanto são altas e
envolventes, crepitar
das chamas fanáticas...

Deslumbram toda a massa
ignorante que
idolatra o fascismo,
a tecnocracia e o
tecnicismo ao redor
desse fogo atávico...

Vislumbra as labaredas,
o quanto são altas e
envolventes, crepitar
das chamas fanáticas...

Primordial porque vem
da parte animal da
nossa centelha, uma ânsia
pela destruição, pela
morte; os olhos brilhando,
guerra, fascinação...

Vislumbra as labaredas,
o quanto são altas e
envolventes, crepitar
das chamas fanáticas...

Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)


domingo, 27 de outubro de 2019

Exposição de Arte Figurativo Abstrato no dia 26/10/2019, sábado, em Camboinhas, Niterói - RJ - Universo das Artes - Buana Lima

Eu, Mauricio Duarte, participei da Exposição de Arte Figurativo Abstrato no dia 26/10/2019, sábado, em Camboinhas, Niterói - RJ, com as peças Trajetórias e Organismo. Um Evento fantástico. Parabéns a toda equipe do Universo das Artes, Buana Lima e amigos.


































sábado, 19 de outubro de 2019

A que se refere a Arte-enlevo?


A que se refere a Arte-enlevo?



A ARTE-ENLEVO explora e congrega, numa aglutinação, quatro tipos de abordagens filosóficas: Estética (obviamente, a arte relaciona-se ao belo e ao feio), a Axiológica (relação direta com valores dentro do meu pensamento), Epistemológica (porque interdisciplinar e de forma científica, ainda que considerando “ciências antigas”) e Ontológica (relação com a metafísica, a essência das coisas).

Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)

Visite o site Conspiração de Consciência e Arte-enlevo . https://sites.google.com/site/conspiracaodeconsciencia/home

Alimentando o capital humano


Academia Virtual de Letras
Patrono: Paulo Coelho
Acadêmico: Mauricio Duarte
Cadeira: 39



Alimentando o capital humano

Montes de coliformes fecais
se aglutinam ao redor desse
teu prato de todo dia, só,
como uma Tênia Saginata,
a consumir o hospedeiro...

Montes de amargurada dor
se derramam por dentre seus
ossos a perguntar o porquê:
onde está a fugaz esperança?
Deve ter uma explicação...

Montes de vômitos da fé,
esta negação do que é,
consumido naquela hóstia,
infinitamente ausente
de qualquer Deus, qualquer único...

Montes de grande canalhice
a mordiscar o seu pão seco,
cuja mão do diabo, o próprio,
amassou para provar que é,
sim, esse príncipe do mundo...

Montes de desespero ao redor
da taba de um pajé já morto,
imaginam o horror desta
contenda de poder e luxo,
pelo fio da navalha da alma...

Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Heráclito

Heráclito

A escola eleática tentou terminar o dualismo entre o permanente e a mudança, dando realidade à mudança. Mas o fenomenal continua como dado pela experiência dos sentidos. Ainda há o Um e o muitos. A unidade da razão e multiplicidade do senso. Heráclito reconcilia os dois e mostra como ambos existem num perfeito monismo, o um no muitos e o muitos no um; sendo verdade nem o um nem o muitos, mas a união – o fluxo e o refluxo – o que está por vir. A doutrina de Heráclito geralmente é dita como obscura. Cudworth chama-o de um “filósofo confuso” e Sócrates, com ironia gentil, diz do seu livro concernente à natureza que o que ele entendeu dele é excelente e o que ele não tem dúvida que não entendeu, é igualmente bom. Trazendo-o como vindo depois de Parmênides e colocando-o com os mesmos problemas da Escola Eleática, nós podemos perguntar a ele a questão: “Oque é o universo?” “É ser ou não-ser?” e as respostas: “Não é nenhum dos dois, porque é ambos.” Tudo é e tudo não é; enquanto vem no ser, ainda, em seguida, cessa de ser. Da mesma onda, nós descendemos e logo não é a mesma onda. Nós somos e, ao mesmo tempo, não somos. Nós não podemos descender duas vezes na mesma onda, porque ela está sempre espalhando e coletando ela mesma de novo ou ainda, ao mesmo tempo, ela está fluindo para nós e fluindo de nós. A realidade do ser não é um regaço eterno, mas sim, uma mudança sem cessar. Heráclito não desfez-se dos sentidos, como os eleáticos, ele os trouxe para as buscas do conhecimento, levando-nos a experimentar os canais da inteligência universal e tornando-nos participantes da razão comum. Nós chegamos na verdade, em proporção do que nós participamos da razão. O que quer que seja particular como oposto do que é falso. “Inalando através do fôlego universal, que é a razão universal, nós nos tornamos cônscios. No dormir nós estamos inconscientes, mas despertos, nós nos tornamos de novo, inteligentes, enquanto que no dormir, quando os órgãos dos sentidos estão fechados, a mente é levada de todos as assuas simpatias com o que a circunda, a razão universal e a única conexão é o fôlego, como seja, uma raiz. Por essa separação a mente perde o poder de coleção. Contudo, ao despertar, a mente recoloca sua memória através dos sentidos como se resume sua inteligência. Como combustível quando levado junto ao fogo, é alterado e se torna inflamável, mas sendo removido de novo, se extingue assim como a porção do todo que viaja pelo nosso corpo, torna-se mais irracional quando separado dele, mas na restauração dessa conexão, através de muitos poros e enseadas, torna-se de novo similar ao todo.”
            Essa doutrina como foi anunciada aqui, pode ser contrastada como o eleatismo que acha certeza apenas na razão pura, enquanto Heráclito encontra os sentidos para serem meios de comunicação entre a mente e a razão universal; ainda depois do contraste, a doutrina da unidade no ser é a mesma. Com um, a realidade é permanente, com o outro, está por vir. Em ambos os casos, o Um é o todo. Heráclito foi originalmente da escola iônica mas alguns dizem-no discípulo de Xenophanes. Aristóteles diz que ele botou fogo no primeiro princípio do mesmo modo que Tales jogou água e Anaximenes, ar. “O universo” diz Heráclito, “sempre foi, é e sempre será um fogo vivo, inalterável e, ao mesmo tempo, em conjunto com o poder do pensamento e do conhecimento.” A relação entre fogo e o que se tornará, nós não sabemos e podemos apenas conjecturar. Esteve Heráclito na Pérsia? Foi ele um operário do fogo? Ele aprendeu de Ormuzd, a fonte da luz – o todo do elemento que abarca todas as coisas num fluxo? E chamou ele, como os persas, com uma indiferenciada diferença, o símbolo do primeiro princípio da criação e de novo, o princípio ele mesmo? Por esse fogo, Heráclito ilustra a eterna transformação e a transposição do que vem a ser. Ele faz o substrato do movimento, a origem e a energia da existência. Na luta da luz e da escuridão, o universo desperta. “Luta” ele diz “que é a parente de todas as coisas” “ O um separando ele mesmo dele mesmo, une-se a ele mesmo e de novo.” Em outro lugar, ele diz: Unir o todo e o não-todo, o complementar e o não-complementar, o harmonioso e o discordante e então, nós teremos o um vindo do todo e o todo vindo do um.”

Livre Tradução do escritor e artista visual Mauricio Duarte (Divyam Anuragi) do livro Pantheism and Christianity . John Hunt . 1884 . Religião Grega . Heráclito

Visite o site Panteísmo e Cristandade com todos os textos traduzidos:

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Aquele crocodilo velho

Academia Virtual de Letras
Patrono: Paulo Coelho
Acadêmico: Mauricio Duarte
Cadeira: 39
Homenagem ao Dia do Professor



Aquele crocodilo velho
Parece um crocodilo, disseram os jovens,
caçoando daquele velho homem.
Caem lágrimas daquele crocodilo velho
que se passa por homem na escola.
São lágrimas escuras, tão escuras quanto o
espaço sideral, o vácuo da
matéria escura que circunda os astros
no universo, universo que é
tão seu, pelo conhecimento e pelo tão
cândido compartilhar desse mesmo
conhecimento que faz todo dia com uma
tal fidalguia que poucos diriam
o que disseram dele sem uma ponta, uma
pontinha de arrependimento, já
que esse crocodilo velho não é um bicho;
é um professor, um mestre e nada
nada mesmo pode retribuir o bem que faz
aos alunos na sala de aula...

(Homenagem a todos os professores e professoras que são desrespeitados em sala de aula)

Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)

domingo, 13 de outubro de 2019

Dia Mundial do Escritor . 13 de outubro



Dia Mundial do Escritor . 13 de outubro
Feliz dia do escritor. Um feliz dia do escritor para todos os que escrevem com a alma e com o coração o que se lê com a mente e a visão e vice-versa.

sábado, 12 de outubro de 2019

Criança

Academia Virtual de Letras
Patrono: Paulo Coelho
Acadêmico: Mauricio Duarte
Cadeira: 39
Poema em homenagem ao Dia das Crianças



Criança
Minha é a tua sinceridade
porque nunca é tarde para
criar laços de compreensão.
Minha é a tua ternura
porque estar em paz
é caminhar com suavidade.
Minha é a tua grandeza,
porque o menino é o pai
do homem, já disseram.
Minha é a tua inocência
porque amar é para quem sabe
de gestos delicados e nobres.
Minha é a tua vida
porque viver é, antes de tudo,
maravilhar-se com a realidade.
Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)
Poema em homenagem ao Dia das Crianças

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Paulo Coelho em entrevista à BBC News

Academia Virtual de Letras
Patrono: Paulo Coelho
Acadêmico: Mauricio Duarte
Cadeira: 39



Paulo Coelho em entrevista à BBC News:
"Tudo em torno de Paulo Coelho é superlativo. Do banheiro para visitas decorado com um quadro assinado por Andy Warhol, ao elevador de vidro que vai da sala de estar ao enorme terraço sob os Alpes suíços. Dos mais de 325 milhões de livros vendidos e um bilhão de leitores em 150 países, ao recorde de escritor vivo mais traduzido do mundo e quase 50 milhões de seguidores em redes sociais. Da tortura a que foi submetido durante três meses, em 1974, à forma contundente como critica o governo brasileiro, em 2019."
"O esfacelamento daquilo que o nosso país representava."
"Um delírio."
"Um Brasil totalmente polarizado" que está "caminhando para o mesmo clima de terror" da ditadura.
Em seu apartamento, em Genebra, o escritor falou sobre que pensa sobre Jair Bolsonaro, e disse à BBC News Brasil estar cumprindo um "compromisso histórico".
"O compromisso histórico é não ficar calado. Eu tenho que falar. Vou perder leitores? Vou. Tenho perdido? Devo estar perdendo? Não sei. Eu não fico contabilizando", diz, enquanto a esposa Christina Oiticica, que acompanha a entrevista, assente com um leve gesto de aprovação.
Em livros como Hippie, o mais recente (2018), ou O Aleph, de 2010, Paulo Coelho alerta que o passado pode destruir o presente. Mas, nesta entrevista, ele decide lembrar com detalhes dos meses em que foi espancado, teve os genitais presos a eletrodos e foi trancafiado nu, com um capuz, em uma sala gelada e escura por agentes da ditadura.
"Se o passado se repete no presente, já não é mais passado, é presente."
Em mais de uma hora de conversa, o escritor também fala sobre o momento em que rompeu com o PT ("estou fora"), a desilusão com o comunismo ("tudo cinza e triste"), a experiência no caminho de Santiago de Compostela ("a jornada é o que conta, e isso vale para política e religião") e a relação com os críticos ("sobrevivi a todos").
Também dá sua opinião sobre figuras contemporâneas como os ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública), o papa Francisco, o guru bolsonarista Olavo de Carvalho, o YouTuber Felipe Neto e o pintor Romero Brito.
Também fala sobre Jesus: "mais politicamente incorreto, impossível".
Leia os principais trechos da entrevista:
BBC News Brasil - Você é essa figura global. Estamos em Genebra, você está no Guinness Book como o autor vivo mais traduzido no mundo e conversa com gente de toda parte. O que as pessoas têm perguntado sobre o Brasil ultimamente?
Paulo Coelho - As pessoas ficam muito constrangidas em perguntar sobre o Brasil. Elas não perguntam. Eu tenho que dar uma entrada para as pessoas perguntarem. Eles vêm e dizem: "Ah, pois é, você viu que ele ofendeu a primeira-dama francesa". Aí eu tenho que falar alguma coisa. Mas eu procuro evitar a conversa Brasil porque eu não posso no momento falar bem do meu país, e falar mal é muito chato.
BBC News Brasil - Você tem, por outro lado, se colocado pelo Twitter. Como você vê este momento no Brasil?
Paulo Coelho - Eu tenho 72 anos e nunca vi nada igual. Eu já vivi ditadura, democracia, muitas fases do Brasil, mas nunca vi o que está acontecendo agora. É um delírio. Necessitava (Howard Phillips) Lovecraft, um escritor de ficção científica, para descrever o Brasil. Fico muito triste com o que está acontecendo.
Uma coisa é certa: não se morre de tédio com a política brasileira, porque todo dia tem-se uma coisa nova. Por outro lado, francamente, o que é isso? Que é isso? O que o presidente brasileiro está fazendo para colocar o Brasil em tanta saia justa?
BBC News Brasil - Você fala de alguma situação específica?
Paulo Coelho - Tudo, tudo, tudo. Vai desde o aquecimento global às queimadas na Amazônia. Parece que o Brasil virou um Estado de negação. As pessoas negam a realidade. "Ah, vou me fechar aqui e não quero ver o que está acontecendo." Isso é muito triste. Veja, você tem um chanceler, Ernesto Araújo, que é um cara completamente despreparado. Não tem maturidade, não tem experiência, não tem nada que justifique a posição que ocupa. E o cara diz qualquer coisa. "Ah, eu fui à Itália, estava frio, então não tem aquecimento global". Meu amigo, um dos sintomas do aquecimento global é o frio (nota da redação: o processo de mudança climática inclui temperaturas mais extremas isoladamente e uma média maior de aquecimento no longo prazo. Clique aqui para ler mais).
Você tem um presidente que, no fundo, eu nem sei se está muito contente de ter sido eleito. É muito confortável estar na oposição. O Brasil está assistindo horrorizado ao esfacelamento daquilo que nosso país representava. Ou seja: Uma luz em um mundo que vivia em trevas.
BBC News Brasil - Você fez críticas ao presidente, ao chanceler. Você se preocupa de alguma maneira que essas críticas desagradem a parte dos seus leitores?
Paulo Coelho - Mas óbvio. Não, não. Preocupar é uma palavra muito forte. A essa altura, eu tenho um compromisso histórico e o compromisso histórico é não ficar calado. Eu tenho que falar. Vou perder leitores? Vou. Tenho perdido? Devo estar perdendo? Não sei. Eu não fico contabilizando isso. No Brasil. Mas, fora do Brasil, eu não acredito. Acho que todo mundo está olhando o Brasil neste momento com muita suspeita.
"Eu estava nu o tempo todo. Só com capuz. Tortura é uma violência total", diz Paulo Coelho à BBC News Brasil — Foto: BBC NEWS BRASIL"Eu estava nu o tempo todo. Só com capuz. Tortura é uma violência total", diz Paulo Coelho à BBC News Brasil — Foto: BBC NEWS BRASIL
"Eu estava nu o tempo todo. Só com capuz. Tortura é uma violência total", diz Paulo Coelho à BBC News Brasil — Foto: BBC NEWS BRASIL
BBC News Brasil - Um assunto delicado, mas trazido por você mesmo recentemente frente a declarações do presidente Bolsonaro. Pode contar o que aconteceu no dia 28 de maio de 1974 - e nos dias que se seguiram?
Paulo Coelho - Bom, durante o governo militar eu era um louco. Nada mais aceitável do que ser um louco com 26 anos. Você tem que passar por um período de loucura para não ficar fazendo loucura depois. Então era tudo: sexo, drogas, rock'n roll. Era o "hipismo". E os militares achavam, como acham hoje em dia, porque o Brasil vive um momento também muito conservador, que tinham que entender tudo. Aí eles não entendiam as minhas músicas. Eles achavam: "bom, se está fazendo sucesso, se está todo mundo cantando, alguma coisa está errada". Quem são esses caras aí? Raul Seixas e Paulo Coelho. Alguma coisa está errada porque a gente não entende o que eles estão falando. Então, chamaram o Raul para depor. O Raul era o cantor. Como diz o Elton John, "Don't Shoot Me, I'm Only the Piano Player" (Não atire em mim, eu sou apenas o pianista). Mas a eminência parda, o cara perigoso, o ideólogo era o letrista. Então eles me prenderam. Agora, tem que justificar uma prisão. Não acharam nada.
Quando eu estava preso oficialmente, fichado, com impressão digital, meus pais conseguiram mandar um advogado. Aí eu falei para o meu advogado "olha, não aconteceu nada, está tudo bem". Aí, me soltaram no mesmo dia e me sequestraram em frente ao aterro do Flamengo. Me arrancaram do táxi, me jogaram na grama, me botaram a arma. Eu olhei para aquele hotel e disse "Putz, eu tenho 26 anos, vou morrer olhando o hotel Glória? Isso não é justo. Eu não estou pronto para morrer." Mas aí há um bloqueio, há um mecanismo de defesa que você simplesmente entrega ao seu destino. Acho que fiquei uns 20 ou 30 minutos (pensando) "Ah, tá. Já que eu vou morrer, eu vou morrer".
Aí, em um dado momento, quando cheguei ao centro de tortura, que só fui descobrir muito tempo depois que era na rua Barão de Mesquita, voltou o instinto de sobrevivência. Mas até lá eu estava entregue. Aí eu fui torturado, apanhei, essas coisas todas.
BBC News Brasil - Qual era a sua situação nesse momento?
Paulo Coelho - Eu estava de capuz, em uma cela. Não via ninguém. Apanhando, óbvio. Mas apanhar não é uma coisa séria. Mas quando eu olhei, debaixo do capuz, os caras tinham posto a máquina de choque. Eu já tinha levado choque feito doido, mas choque de doido não dói. (Nota da redação: Aos 20 anos, Paulo Coelho foi internado pela primeira vez pelos pais em um manicômio). Agora, aquele choque ali era para machucar, tá? Eu olhei assim e me assustei muito. Aí eu disse: "ah, deixa que eu me torturo". Lembrei da casa de saúde. Aí comecei a me lanhar. Enfiei as unhas no corpo e comecei a me arrebentar. E começou a sair sangue.
Os caras disseram: "é maluco". Aí a tortura diminuiu, aí no dia seguinte voltou. Eles queriam saber como estava a guerrilha na Bahia. Porra, meu amigo. Eu confesso! Como está a guerrilha? Eu assino aqui. O que você quer é que aquilo pare. Agora, a pior tortura não é aquela que te agride fisicamente. A pior tortura é a psicológica.
Então, eles me botaram numa coisa chamada geladeira. É uma caixa, de 3x3, estou chutando, a porta hermeticamente fechada. Um ar condicionado. Você está nu. Eu estava nu o tempo todo. Só com capuz. Tortura é uma coisa que é uma violência total. Essa geladeira, é uma coisa que eles não me tocavam. Me fechavam lá dentro, botavam aquele ar condicionado tremendamente frio, e era tudo escuro, pintado de preto. Você não tem mais nenhuma sensação.
BBC News Brasil - Noção de tempo?
Paulo Coelho - Noção de tempo, distância, nada, você só tem um frio congelante. Ali eu pirei. Acho que o pior momento da tortura foi o tempo que eu passei na geladeira. Porque eu disse "estou enlouquecendo, estou enlouquecendo". Até então eu era um maluco beleza. Um cara que fez minhas loucuras, da minha juventude. Mas ali eu estava virando louco mesmo. Estava perdendo a minha capacidade de pensar. Não sabia se era reversível ou não.
Aí foi isso. Quando eu saí da prisão, saí como entrei. Sem explicação. Nunca fui processado, nunca fui ao Tribunal Militar. Nada. Fui preso em maio, fiquei preso até junho. Você perde a noção de data.
Mas aquele medo fica. Aquele terror fica.
BBC News Brasil - Li histórias de que ser preso acabava virando um estigma, porque as pessoas ficam com medo de se aproximar, ou se associar.
Paulo Coelho - Todo mundo. O meu próprio parceiro na época, o Raul, não deu mais notícias. Não atendeu meus telefonemas. Os meus amigos sumiram. Porque ser visto com um preso... E isso existe até hoje. Se esse cara foi preso... Alguma coisa tem de errado, então é melhor não ser visto com ele, podem estar fotografando...
O Brasil vivia um clima de terror. Para o qual está se encaminhando eu acho agora. O Brasil está totalmente polarizado e eu acho que as coisas infelizmente estão caminhando para o mesmo clima de terror. Você já não diz o que pensa. Nem na família. Não é porque vão te prender, torturar ou bater. É porque as pessoas perderam completamente a capacidade de diálogo. Ou você é a favor, ou é contra. Não existe conversa. E a mesma coisa naquela época.
BBC News Brasil - No seu livro Hippie, você diz que a gente precisa fazer as pazes com o passado para não destruir o presente. Em O Aleph, você diz que o passado é um bom lugar a se visitar, mas não um bom lugar para se viver. Em 2013, você tuitou - visite a sua alma, não visite o seu passado. Por que agora é importante trazer esse passado agora?
Paulo Coelho - Porque é um presente. Não é um passado. Eu, por exemplo, se fosse visitar meu passado, não escrevia mais. Escrevi durante tanto tempo, escrevi tantos livros, graças a Deus, sucesso no mundo inteiro. Estou com 325 milhões de livros vendidos até junho. Isso significa, tomando uma média de três leitores por livro, quase um bilhão de pessoas lendo os meus livros. Então, se vou visitar isso, eu não escrevo mais. Primeiro, fico paralisado pelo medo desses leitores, do que eles querem ou deixam de querer. Pô, o meu prazer é escrever. É isso que eu gosto e é isso que justifica a minha existência.
Caramba, eu poderia estar vivendo só de música e de memórias. Aquele cara chato que chega no bar "Ah, eu fiz uma música. Gita. (Paulo Coelho cantarola) "Eu sou, a luz das estrelas..." E o cara: "Ah, já sei qual é, já ouvi". Viver no passado é um perigo, é mortal.
Agora, se o passado se repete no presente, já não é mais passado, é presente.
Paulo Coelho
BBC News Brasil - Ainda sobre esse passado que reaparece: a censura é outro tema que voltou à tona com o episódio da Bienal. E você citou no Twitter seu livro 11 Minutos, que fala sobre sadomasoquismo, prostituição, e estava ali exposto sem ser recolhido.
Paulo Coelho - É, eu sugeri que censurassem meu livro porque é um livro sobre prostituição. Curiosamente, e o meu segundo livro mais vendido.
Os caras não têm muita noção de nada. Eles vão pelos trending topics do Twitter para ver o que está acontecendo. Eu disse ao meu editor lá no Brasil: "Põe aí bem visível, quero ver se eles vão pegar. Se pegarem, eu vou criar um problema mundial'. Não pegaram.
Acredite se quiser: mesmo durante a ditadura, com todas essas músicas, eu sendo considerado um subversivo potencial, porque eles não tinham nada para provar contra mim, eu só tive uma música censurada. Que se chamava Óculos Escuros. Eu troquei o título e botei um que não tem nada a ver que diz Como Vovó já Dizia, mandei para a censura e passou. Não existia a menor lógica na repressão.
BBC News Brasil - O Felipe Neto fez aquela ação de comprar todos os livros e distribuí-los. Você chegou a elogiar inclusive.
Paulo Coelho - Não só elogiei, senti uma certa inveja positiva. Disse: porra, o cara teve essa ideia e eu não tive. Eu disse, porra, eu queria ter tido essa ideia. Mas aí ele começou a ser ameaçado. E eu resolvi me posicionar para que a pessoa seja defendida. Na época da repressão, digo no governo militar, quando as pessoas eram presas, elas eram agarradas na rua, sei lá, em qualquer lugar, e elas tinham que gritar o nome para que todo mundo soubesse que a pessoa estava sendo presa. Porque uma vez que as pessoas sabem, isso já é um escudo de proteção. A mesma coisa valia para o Felipe Neto. Não vamos deixar que as coisas sejam assim, não. Além do mais, o Twitter é uma falsa caixa de repercussão porque existem as milícias virtuais e você nunca sabe o que é real. Eu posto uma coisa e eu não leio comentário, porque a maioria é robô.
Paulo Coelho
"Quem manda sou eu, vou deixar bem claro. Eu dou liberdade para os ministros todos, mas quem manda sou eu", afirmou o presidente nesta sexta (16).
Entendeu bem, Moro?
BBC News Brasil - Ainda sobre o Twitter, você postou uma frase do Bolsonaro dizendo várias vezes que é ele quem manda. "Sou eu quem manda, sou eu quem manda".
Paulo Coelho - É, era para o Moro! (Risos)
BBC News Brasil - Exato. Você pergunta se Moro entendeu bem. Qual era o recado?
Paulo Coelho - O Bolsonaro é quem manda! O Bolsonaro tem isso, ele é um capitão, tem educação militar e tem esse senso de hierarquia. Você, se fizer alguma coisa errada, quem manda sou eu. Você vê que há um conflito entre Moro e Bolsonaro desde que Moro entrou para ser ministro da Justiça, contra o conselho de várias pessoas. Mas quem manda é Bolsonaro.
BBC News Brasil - E qual é o seu conselho ao Moro?
Paulo Coelho - Eu não tenho conselho ao Moro. O Moro não faz parte do meu universo. Moro é uma pessoa que eu não entendo muito bem, sabe? Eu vi agora os desmandos da "Vaza Jato". Esse sim que é um cara corajoso. O...
BBC News Brasil - Glenn Greenwald?
Paulo Coelho - Esse cara é um ícone para mim. Ele está lá, está falando tudo aquilo e desmascarando uma coisa que você diz "Ah, vamos fazer isso porque está certo". Voltando a Maquiavel: "Ah, os fins justificam os meios". Não justificam.
Vamos usar um exemplo concreto. Santiago de Compostela, eu fiz em 1986. Eu demorei 56 dias, a média é 30. Eu ficava o tempo todo no começo querendo chegar a Santiago de Compostela. Quando cheguei, foi um anticlímax. Acabou. E agora?
A jornada é o que conta. É o que é importante, né? E isso vale para política, para religião, vale para tudo. É o processo que vai te deixar em paz com a vida ou de mal com a vida, e não aonde você vai chegar. Porque nós vamos chegar todos a um mesmo lugar chamado morte.
Paulo Coelho
“Antigamente dizíamos: as paredes têm ouvidos “
“Hoje dizemos: os ouvidos tem paredes”
(M.A., amiga minha)
BBC News Brasil - Outro dia você disse que "antigamente as paredes tinham ouvidos e que agora os ouvidos têm paredes". Você estava falando sobre polarização, fake news... É isso?
Paulo Coelho - Acho que hoje em dia se criou um universo completamente artificial e existe uma mudança irreversível. Não adianta dizer que a comunidade social está criando isso ou aquilo. Mas hoje em dia você consegue se aproximar da sua tribo, seja ela de luz ou de trevas, e entende que não está sozinho. Quando você entende isso, aquilo te cria uma barreira em torno. E acabou. Você tem lá seus 10 amigos que compartilham da ideia de que a Terra é plana, que os ETs estão lá na Área 51 dos EUA e pronto.
BBC News Brasil - A gente está emburrecendo por isso?
Paulo Coelho - Eu não sei se a gente está emburrecendo, eu não sei se a gente sempre foi burro, eu não sei se eu sempre acreditei em coisas que queria acreditar. Óbvio, não vou acreditar que a Terra é plana. Mas eu acredito em extraterrestres. E muita gente não acredita. Eu acredito em Deus. E tem gente que pensa que Deus não existe. Então, você é você e a maneira como vê o mundo.
Eu, como todas as pessoas da minha geração, namorei o comunismo. Eu queria visitar os países comunistas. E já era muito difícil. Conseguimos, eu atravessei o muro de Berlim, e o cara me perguntou "Quanto dinheiro você tem?". Digo: "Tenho em torno de 4 mil dólares", vamos dizer. Aí o cara diz "Não, exatamente, os trocados". Eu disse, tá bom. Sentei com minha mulher e começamos a contar as moedas. E passavam outras pessoas que moravam da DDR, na Alemanha Oriental. E aí eu comecei a ver a humilhação que eram as pessoas que chegavam.
Fomos para a DDR, para a República Tcheca, Romênia, Hungria. E era tudo cinza. Tudo triste. As pessoas eram infelizes. Eu disse, porra, é isso que eu estou defendendo? Nem defendendo, eu não era um cara atuante. Era um simpatizante. Eu disse "Não, isso não está com nada". É muita repressão e... estou fora.
BBC News Brasil - Em 2016, em abril, você disse em um texto: "Fui petista, fiz campanha, me decepcionei, resisti o quanto pude às constantes desilusões, incompetência, etc. Mas chegou um dia em que eu disse basta". E aí, há pouco tempo, você disse que pode amar o seu país, mas você deve...
Paulo Coelho - Você pode amar o seu país e desprezar o seu governo. Eu flertei com o PT. Mais do que flertei. Eu fiz campanha, eu fui apoiar nas Olimpíadas, apoiei a Copa do Mundo. E aí eu comecei a ver que era uma coisa que não estava levando a lugar nenhum. Não digo que os resultados dos governos Lula não foram bons, mas da Dilma já não foi. Já é uma coisa meio falsa.
Não sei. Aí eu disse: "Ah, não, estou fora do PT."
BBC News Brasil - Você tem essa frase de você deve amar seu país, mas desprezar seu governo. Você é um cara desiludido com a política?
Paulo Coelho - Boa pergunta. Eu não sei te responder. Eu acho que o mundo vem do seu momento auge, a Acrópole, Atenas, de onde vem a palavra "política", onde as pessoas realmente discutiam. Aí depois se criou uma casta e depois essa casta se julgou no dever de ditar o que a gente pensa. "Ah, mas seria Anarquia!". Eu não acredito.
Acho que se todo homem tivesse o poder de interferir no seu país e no seu governo nós teríamos um Congresso, um Executivo, um Judiciário, que é um poder muito importante, mas nós teríamos uma voz popular muito importante. Então eu acho que infelizmente nós caminhamos para a consolidação dessa casta política. Acho que a política tem que passar por uma reforma muito grande.
BBC News Brasil - Essa discussão sobre a desilusão com os políticos, a descrença com o político tradicional é algo que está em voga e, por exemplo, teria ajudado a eleger figuras como Donald Trump, nos EUA, ou, no Brasil, o João Doria, que vem do mercado, ou no Rio de Janeiro o Wilson Witzel, que é um juiz. Como vê esse fenômeno?
Paulo Coelho - Aí é que está. Quando não se oferece alternativas concretas, você parte para coisas que terminam dando no Bolsonaro. O cara acredita que o nazismo é de esquerda, meu amigo. "O nazismo é de esquerda..." Os judeus ficaram chateadíssimos com esse comentário.
BBC News Brasil - Você falou hoje sobre uma tristeza sobre o Brasil de hoje, uma série de preocupações que você tem. Queria saber o que ainda te dá orgulho no Brasil.
Paulo Coelho - O povo. O povo. O povo. Eu espero que esse povo não seja contagiado com o que está acontecendo. Embora, no momento, você veja que as pessoas estão ficando muito radicais. Muito. O evangélico já não tolera o católico, o cara de esquerda não tolera o de direita, o de direita odeia todo mundo. Você vê nas biografias do Twitter. "Fulano de tal ferrenho anticomunista". De onde esse cara tirou que é anticomunista? O que ele acha? Que o Brasil vai ser de repente invadido por hordas de soviéticos que estavam ocultos na Amazônia, depois que queimarem sai aquele bando de soviéticos para atacar o Brasil, todos com aquela estrelinha vermelha? Comunismo não existe mais. Nunca existiu, existia um regime soviético horroroso.
Aí eu digo, que é isso, porque as pessoas falam isso? Ah, porque as pessoas precisam de uma bandeira para defender. O cara vai lá e tem a bandeira anticomunista. Podiam inventar uma coisa melhor, mais moderna. "Antipoluição". Mas o cara é anticomunista porque sofreu ali uma lavagem mental. Esse anticomunismo é muito recente, é da eleição do Bolsonaro para cá. Todo mundo da direita virou anticomunista.
Na Academia Brasileira de Letras eu fui eleito na vaga de um ícone da direita, que era o Roberto Campos, que eu atacava enquanto estudante. E o Roberto Campos tem uma frase muito boa. Ele diz que "A violência da flecha dignifica o alvo". Então, quando é atacado com muita violência, de alguma maneira aquele ataque te dignifica. Ou te mata ou te faz viver, mas ao menos você é dignificado. Não há nada pior do que ignorar.
BBC News Brasil - O termo guru já foi muito usado para descrever você e é algo que você rechaça. Hoje esse termo voltou à tona e vem sendo muito usado para descrever outro escritor, o Olavo de Carvalho. Queria saber se você já o leu e o que acha dele?
Paulo Coelho - Não, não li e não tenho opinião. Não é uma coisa que entra no meu universo.
BBC News Brasil - E porque a ideia de guru incomoda?
Paulo Coelho - A mim? Porque guru é um cara que mostra o caminho. Eu sempre fui a favor de que cada um de nós saiba o caminho que deva seguir. A vida nos dá todas as ferramentas, faz a gente encontrar as pessoas certas, no momento certo, o problema é reconhecer.
BBC News Brasil - Sobre religião e espiritualidade. Você é um cara que se reconciliou com o catolicismo, depois de experimentar outras filosofias e religiões. Hoje, estima-se que na próxima década o Brasil deve se tornar um país de maioria evangélica, protestante.
Paulo Coelho - Eu acredito que sim.
BBC News Brasil - Queria saber como vê esse fenômeno.
Paulo Coelho - Bom, cada um tem direito de escolher, não é? Eu acho que religião é uma coisa de foro íntimo. Sou católico, tenho uma grande admiração pelo protestantismo. Eu acho que cada um tem sua escolha, sobretudo nessa área. Essa coisa "Ah, paga dízimo". E daí, meu amigo? A pessoa paga dízimo, o cara que lê meu livro paga direito autoral, alguém paga a BBC...
O problema é a radicalização. O cara invadir uma bienal em nome dos costumes. Cristo era um cara mais politicamente incorreto, impossível. Vivia cercado de mulher. Bebia. O primeiro milagre dele, nas bodas de Caná, ele transforma água em vinho, não vinho em água. Se cercava dos piores elementos, do cobrador de impostos, Matheus, dos pescadores. Amaldiçoava a elite da época. Por exemplo: ele passa por uma figueira, ele olha, a figueira não dá figo para ele porque não é época. Ele amaldiçoa a figueira! Então é um cara que eu adoro, porque é uma pessoa feito todos nós.
Agora, a leitura da Bíblia são outros quinhentos. As pessoas leem o que elas querem. E isso está gerando um fanatismo. E o Brasil infelizmente pode caminhar para um conservadorismo cultural.
BBC News Brasil - A gente está perto do Sínodo da Amazônia, essa grande reunião de bispos no Vaticano, e o Brasil vai acabar sendo assunto por lá. Lembro que você não gostava de Bento 16. Queria saber sua impressão sobre o Papa Francisco.
Paulo Coelho - Muito boa. Muito boa. Eu estou pensando se vou ou não ao Vaticano agora, porque vai ser canonizada agora uma santa que me deu de comer chamada irmã Dulce. A primeira santa brasileira. Eu estava mendigando na Bahia, eu tinha fugido de casa, e ela me deu de comer. Hoje em dia, graças a Deus, a gente ajuda aos hospitais dela, a gente tem uma fundação que ajuda algumas coisas, entre as quais algumas unidades dos hospitais da irmã Dulce.
Penso se vou ou não, estou nessa fase de preguiça, para encontrar o papa. Porque eu já recebi sinais de que ele gostaria de encontrar comigo também.
BBC News Brasil - Você o vê fazendo um trabalho interessante?
Paulo Coelho - Vejo um trabalho muito interessante. Que as pessoas atacam, mas as pessoas atacam tudo. Atacar é livre. Fazer o trabalho que é difícil.
BBC News Brasil - Você é o único escritor que eu já vi na vida defendendo a pirataria dos próprios livros. Por quê?
Paulo Coelho - Claro.
BBC News Brasil - Por quê?
Paulo Coelho - Eu defendo a pirataria porque tem gente que não tem dinheiro ou acesso à livraria. Agora mesmo a gente mandou containers de livros para a África. Na África, não existem muitas livrarias, mas existe o celular e as pessoas podem baixar. Então, baixa pirata.
E depois, ao contrário do que as pessoas pensam, o mundo não é ganancioso. As pessoas respeitam quando você é generoso. Eu respeito quando são generosos comigo. Então, não vivo na defensiva. Nem com direitos autorais, nem com relação a nada. Acredito na maldade e na bondade humana.
BBC News Brasil - Como acha que você vai ser descrito no futuro nos livros de história e literatura? Que lugar você acha que vai ocupar lá para frente na nossa literatura?
Paulo Coelho - Não tenho a menor ideia e não é uma coisa que me preocupa.
Eu me lembro que no começo diziam que eu ia durar 3 anos, que era moda. Eu estou ocupado com o aqui e o agora. Uma coisa seja dita: eu, Paulo Coelho, sobrevivi a todos os meus críticos. Eles simplesmente sumiram, desapareceram. Mas eu continuei e continuei porque não tentei agradá-los. Eu nunca tentei agradar ao crítico. Eu sempre fui absolutamente consciente do que eu queria fazer e continuei fazendo e sobrevivi aos críticos.
BBC News Brasil - Lembrei de uma frase sua: você inclusive compara os críticos aos eunucos. Qual é a frase do harém?
Paulo Coelho - Crítico é que nem eunuco de harém. Vê fazer, sabe a melhor maneira de fazer, mas não pode fazer porque não tem material necessário. Então, o crítico é o cara que, coitado, não deu para nada e vai ser crítico.
A história está cheia de exemplos de gente que foi pisada. Isso vai desde Richard Wagner, o compositor, até o que se faz com o Romero Brito hoje em dia no Brasil. O Romero Brito é um fenômeno mundial e também não liga para crítica.
Se o meu trabalho vai ficar ou não vai ficar, eu espero que fique, óbvio. A literatura está passando por várias mudanças, então vamos ver.
BBC News Brasil - Você é um cara que chora? Qual foi a última vez?
Paulo Coelho - Eu choro muito. Não me lembro a ultima vez, deve ter sido ontem, eu vi um documentário e chorei. Eu acho a lágrima um dom. Um dom. Ela expressa. Eu não choro de raiva, nunca, mas choro de emoção.
Eu nunca posso ter como garantido o que aconteceu comigo. Então tem que estar sempre reverenciando esse milagre. E reverenciar esse milagre é fazer alguma coisa seja por mim, seja por meu semelhante.
Quando eu doei meus livros, era na língua dos colonizadores. O francês e o inglês. Você começar a ver seus livros surgindo em línguas locais, suaíli, iorubá... Que prêmio maior existe para o escritor? Que seu trabalho viaje, que sua alma seja compreendida. No fundo, se escreve para isso.
BBC News Brasil - Você também se emociona com música? Pensando no Paulo Coelho roqueiro, parceiro do Raul, compunha para Elis, Rita Lee... A música ainda emociona ou o rock morreu?
Paulo Coelho - A música é sempre geracional. Eu escuto o que escutava quando tinha 26 anos. Eu não evoluí. Nem eu e nem ninguém. Você fica naquela fase e pronto, e ouve aquilo várias vezes. Eu escuto o que escutava, desde Led Zeppelin a Chitãozinho e Xororó, ou Raul Seixas, ou Roberto Carlos. Antigos.


Artificialismos


Academia Virtual de Letras
Patrono: Paulo Coelho
Acadêmico: Mauricio Duarte
Cadeira: 39



Artificialismos

Que o horizonte fosse cinza,
que as flores fossem de plástico,
nunca se daria maior triunfo em
ser vontade do homem de
domar a natureza ao seu
conforto, luxo, prazer e
tudo, tudo que pode, quer...

Que as raízes fossem, sim, de metal,
que o próprio ar fosse de concreto,
nunca se daria maior triunfo em
domar a natureza ao seu
interesse, força, ganância,
tudo, tudo que pode, quer...

Que os oceanos fossem esgoto,
que as montanhas fossem de lixo,
nunca se daria maior triunfo em
ser vontade do homem de
domar a natureza ao seu
poder, avidez, danação,
tudo, tudo que pode, quer...

Que os animais fossem andróides,
que a vida fosse artificial,
nunca se daria maior triunfo em
ser vontade do homem de
domar a natureza ao seu
ódio, crime, especulação,
tudo, tudo que pode, quer...

Que os poetas fossem mecânicos,
que a arte fosse só falsidade,
nunca se daria maior triunfo em
ser vontade do homem de
domar a si mesmo, vítima
do próprio orgulho, falta de
tudo, tudo que pode, quer...

Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)


O Novo Bistrô D´Avó contará com as obras da Poetisa e Acadêmica Bartira Mendes para venda

O Novo Bistrô D´Avó contará com as obras da Poetisa e Acadêmica Bartira Mendes para venda.

Confira, bem aqui, no Coração de São Gonçalo, na rua Eduardo Vieira, 122 . Centro (ao lado do TRE) . a ser inaugurado segunda-feira, dia 14/10/2019 às 18 hs.



Livros da Poetisa e Acadêmica Bartira Mendes:
Momentos Poéticos. Editora Bem Cultural. 98 páginas. 21cm. ISBP 978-85-68356-02-9. Ano 2015. R$ 20,00 + correios
Gratidão . Meus Versos para Ti, Senhor . Editora Fontenele Publicações. Ano 2016. 80 páginas. 21 cm. ISBN - 978-85-92790-19-6 R$ 20,00 + correios
Aurora Boreal de Meus Versos . 21 x 15 cm . Capa colorida . Miolo PB . 96 páginas . R$ 25,00 + correios

Ou adquira pela página RESPIRANDO POESIA da poetisa e acadêmica Bartira Mendes Costa . https://www.facebook.com/bartiramendesrespirandopoesia/

domingo, 6 de outubro de 2019

Notícia do Jornal DAKI sobre a celebração dos 45 anos da AGLAC

Notícia do Jornal DAKI sobre a celebração dos 45 anos da querida Academia Gonçalense de Letras, Artes e Ciências (AGLAC) da qual eu, Mauricio Duarte, faço parte.


quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Tarde de autógrafos com a poetisa e acadêmica Bartira Mendes

Tarde de autógrafos com a poetisa e acadêmica Bartira Mendes.



Neste sábado dia 05 de outubro no Bistro D´Avó . Rua Dr. Nilo Pecanha,56 Loja 19 - 24445-300 São Gonçalo - RJ.

Tarde de autógrafos com a poetisa e acadêmica Bartira Mendes

Tarde de autógrafos com a poetisa e acadêmica Bartira Mendes.




Neste sábado dia 05 de outubro no Bistro D´Avó . Rua Dr. Nilo Pecanha,56 Loja 19 - 24445-300 São Gonçalo - RJ.